Maquiagem para olhos no Antigo Egito tinha virtudes medicinais

Além de suas virtudes estéticas, a maquiagem para os olhos no Antigo Egito tinha propriedades medicinais, como acabam de elucidar químicos franceses.

AFP |

Há 4.000 anos, os egípcios misturavam frequentemente chumbo à maquiagem para os olhos. Naquela época, os médicos gregos e romanos afirmavam que este metal era benéfico para os olhos.

Hoje em dia, o chumbo é mais conhecido por ser um metal potencialmente tóxico.

Para entender melhor este uso do chumbo como cosmético, a equipe de pesquisadores coordenada por Christian Amatore avaliou o impacto de uma escassa quantidade de chumbo em uma célula da pele.

Os pesquisadores constataram que em doses ínfimas, o chumbo não mata a célula. Induz a produção no organismo de uma molécula, o monóxido de azoto, conhecida por ativar o sistema imunológico.

Assim sendo, a aplicação desta maquiagem com chumbo pode provocar um mecanismo de defesa que, em caso de infecção dos olhos, limita a proliferação das bactérias.

O estudo coordenado por Amatore foi publicado antecipadamente nesta quinta-feira na edição on-line da revista especializada Analytical Chemistry do dia 15 de janeiro.

Para a demonstração, os pesquisadores utilizaram laurionita, um cloreto de chumbo que está entre os sais sintetizados pelos egípcios daquela época, para observar sua ação em uma célula isolada da pele com a ajuda de ultramicroeletrodos, uma ferramenta eletroquímica moderna miniaturizada que permite analisar sinais muito fracos emitidos por uma única célula.

Após colocar ínfimas quantidades de solução de laurionita na célula de pele, os pesquisadores observaram uma superprodução de dezenas de milhares de moléculas de azoto (NO). O azoto intervém como mensageiro do sistema imunitário ao estimular a chegada de macrófagos, células que atuam como limpadores do organismo ao ingerir bactérias vivas e resíduos diversos.

Assim, em vez de ser tóxica, a ínfima quantidade de chumbo misturada à maquiagem protegia os olhos de infecções bacterianas, segundo o estudo.

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