Maoístas proíbem concurso Miss Nepal pela sexta vez

Candidatas a Miss Nepal expressaram decepção nesta segunda-feira depois que o concurso de beleza foi adiado pela sexta vez neste ano. O evento deveria ter sido realizado no fim de semana, mas as autoridades locais proibiram o evento por causa da pressão do partido maoísta, que lidera o governo.

BBC Brasil |

Os maoístas dizem que o concurso discrimina certos grupos étnicos e humilha as mulheres.

A polêmica em torno do concurso é tanta que os organizadores, da empresa Hidden Treasure, haviam planejado realizar o evento em um quartel do Exército.

Na última hora, no entanto, eles receberam uma carta do governo local de Katchmandu. "Com a paz e a segurança em mente, não deixe que esse evento seja realizado", dizia a carta.

Os inimigos do evento vêm da ala de mulheres do partido maoísta, a Organização de Mulheres de Todo o Nepal.

No mês passado, o grupo invadiu o escritório do patrocinador indiano do evento, Dabur Nepal, e trancou os funcionários para fora do local.

A mais importante mulher no partido maoísta, Pampha Bhusal, disse à BBC que o concurso discrimina alguns grupos étnicos e também mulheres escuras ou baixas, e que humilha as mulheres ao usá-las para comerciais de pasta de dentes e xampu.

Visões diferentes
Os organizadores, no entanto, dizem que o evento é aberto para todos e que as candidatas vêm ajudando vítimas de enchentes e trabalhando em campanhas sociais.

Uma das candidatas, Pranaya KC, de 19 anos, disse que os maoístas estão violando os direitos de jovens mulheres. As candidatas e os organizadores estão em negociações com os governistas, mas até agora não chegaram a um acordo.

"A forma como falam conosco, eles sempre acham que estão certos. Tudo o que dizem está certo, dizem que todas as suas visões são corretas", reclama a candidata. "Sinto como se estivéssemos sob uma ditadura, mais do que uma república ou democracia."
Os organizadores e as candidatas disseram ter recebido ligações telefônicas ameaçadoras e anônimas, algumas no meio da noite.

O concurso Miss Nepal personifica as divergências entre grupos com visões sociais muito diferentes.

De um lado, há os que dizem que concursos de beleza são uma força para o bem e para a promoção do que é belo. Por outro lado, há os que, como os maoístas, dizem que esses eventos não são nepaleses e não fazem nada para melhorar as condições das mulheres.

Outros concursos
No meio, há várias outras pessoas. Uma nepalesa, que pediu para permanecer anônima, disse que não gosta das tentativas dos maoístas de controlar a vida das pessoas, mas que, por outro lado, acha que existem causas mais nobres para lutar do que o Miss Nepal.

Oponentes da proibição dizem que o concurso ajuda a construir as habilidades e o status das mulheres em diversas áreas.

Mas Amrita Thapa, chefe da organização de mulheres maoísta, diz que o concurso deveria decidir se é sobre beleza física ou habilidades profissionais, e que não pode ser ambos.

Os maoístas não vêm sendo totalmente consistentes sobre suas razões para se manifestar contra o concurso. Até recentemente eles baseavam seu argumento apenas na afirmação de que o evento humilha as mulheres.

Mas Pampha Bhusal agora diz que o partido apóia alguns concursos, incluindo o Miss Tamang, aberto para membros de um grupo étnico populoso, mas normalmente marginalizado. Vários concursos similares continuaram a ser realizados no país em meio à polêmica.

A disputa aumentou a imagem dos maoístas, agora o maior partido eleito do Nepal, como puritanos e preocupados com o controle social.

Mas o partido diz que só porque outros países realizam concursos do tipo não significa que o Nepal também seja obrigado a fazer o mesmo.

Com a polêmica, as esperanças de 17 jovens de se tornar Miss Nepal e participar do Miss Mundo em dezembro, na África do Sul, parecem cada vez menos prováveis.

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