Maoístas e opositores chegam a acordo para formar Governo no Nepal

Katmandu, 21 ago (EFE).- O Partido Comunista do Nepal-Maoísta (CPN-M), do primeiro-ministro nepalês, Pushpa Kamal Dahal, conhecido como Prachanda, fechou hoje um acordo com outros dois partidos para distribuir os ministérios do novo Gabinete e finalmente formar o Governo no país.

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Em virtude do acordo, os maoístas, que liderarão o Executivo, ficarão com nove pastas, entre elas as da Defesa, de Finanças, e da Paz e Reconstrução, enquanto o Partido Comunista do Nepal-Marxista-Leninista Unido (CPN-UML) ocupará seis ministérios, inclusive os de Interior, Desenvolvimento Local e Recursos Hídricos.

O minoritário Fórum Madheshi, que representa a etnia que habita a planície sul do país, ficará com quatro ministérios, entre os quais o dos Assuntos Exteriores e o da Informação e Comunicação.

Um líder dos leninistas, a segunda força com mais peso no futuro Gabinete, Bharat Mohan Adhikari, afirmou à Agência Efe que o novo Governo será formado amanhã.

Os três partidos também acertaram um programa mínimo comum de atuação do novo Executivo, que foi pactuado durante as negociações, ocorridas na semana passada.

Segundo Adikhari, o documento se centra em levar o processo de paz no Nepal a uma "conclusão lógica", em alusão à integração dos ex-combatentes maoístas ao Exército nepalês; à elaboração de uma nova Constituição e ao desenvolvimento de um sistema federal.

O pacto também contempla transformar a realidade socioeconômica do país e ajudar os familiares das vítimas do conflito entre a guerrilha maoísta e o Governo nepalês, que acabou em 2006 com a assinatura de um acordo de paz.

"Tudo isto será feito salvaguardando a soberania e a independência do país", acrescentou o líder do CPN-UML.

Prachanda viajará neste final de semana à China para assistir à cerimônia de encerramento dos Jogos Olímpicos de Pequim, e por isso a formação do novo Governo deve acontecer antes de sua ida, ou quando voltar de viagem.

O acordo acontece depois de Prachanda ser eleito chefe de Governo, em 15 de agosto, pela Assembléia Constituinte com 464 votos a favor e 113 contra, embora a formação do Governo tenha ficado pendente das negociações entre o CPN-M, o CPN-UML e o Fórum Madheshi.

O Partido do Congresso Nepalês (NCP), a segunda força do país, tinha negociado anteriormente com os maoístas para juntos formarem o novo Executivo, mas as duas legendas entraram em atrito pelo controle da pasta de Defesa, e não chegaram a um acordo.

Em abril, foram realizadas eleições, nas quais a antiga guerrilha saiu vencedora. Um mês depois, a Assembléia Constituinte proclamou a República e pôs fim a quase 240 anos de Monarquia. EFE ms/wr/gs

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