Por Gopal Sharma KATMANDU (Reuters) - Os maoístas do Nepal caminhavam em direção à vitória na primeira eleição realizada no país do Himalaia em um período de nove anos, segundo os cálculos mais recentes divulgados no domingo.

Os maoístas, que deixaram a insurgência dois anos atrás para entrar na disputa política, conquistaram 61 dos 108 assentos anunciados até agora, além de manterem a liderança numa proporção similar nos distritos eleitorais que ainda contabilizavam os votos, segundo autoridades.

O resultado da eleição de quinta-feira, peça fundamental de um acordo de paz, surpreendeu muitos analistas que esperavam a ascensão dos ex-insurgentes apenas como o terceiro maior partido local.

Segundo Lok Raj Baral, do Centro Nepalês de Estudos Estratégicos, órgão privado de pesquisas, 'é possível que eles (maoístas) conquistem a maioria'.

Para Baral, os resultados são um mandato de mudanças da ineficiente e antiga ordem política. A eleição no Nepal deve escolher os 601 membros de uma assembléia que escreverá a nova Constituição do país, formalmente uma monarquia de 240 anos.

Os maoístas, considerados anteriormente como semelhantes ao Sendero Luminoso peruano, abandonaram a linguagem de Karl Marx e Mao Tse Tung, deixando de lado a nacionalização e afirmando que os investimentos estrangeiros são bem-vindos em alguns setores da economia do país.

Eles também são favoráveis à reforma agrária e aos esforços sociais para a erradicação da pobreza.

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