Manuel Zelaya suspende diálogo com governo interino

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, suspendeu o diálogo que vinha mantendo com o governo interino para tentar pôr fim à crise política no país.

BBC Brasil |

Em uma declaração feita a partir da embaixada brasileira em Tegucigalpa, onde está refugiado há mais de três semanas, Zelaya disse ser "desrespeitoso" que a decisão sobre sua volta ao poder seja tomada pela Suprema Corte, como quer o presidente interino Roberto Micheletti, e não pelo Congresso Nacional.

A comissão de negociadores do governo interino disse que as negociações vão continuar mesmo sem o apoio de Zelaya.

O líder deposto defende sua volta ao poder antes das eleições presidenciais, marcadas para o dia 29 de novembro.

Prazo rompido

Na sexta-feira, após mais uma rodada de negociações fracassadas, Zelaya deu mais dois dias para que Micheletti aceitasse a proposta de seus mediadores para que a discussão em torno de seu futuro político fosse tomada pelo Congresso.

Mas, com a recusa de Michelleti, que insiste na participação da Suprema Corte no processo, Zelaya se retirou das negociações.

Segundo Victor Meza, um dos negociadores que apoiam o líder deposto, a proposta de Micheletti é "absolutamente inaceitável".

"É uma proposta absurda", disse Meza.

Apesar de os congressistas terem apoiado a destituição de Zelaya, desde então vêm assumindo uma posição mais neutra, e já disseram que aprovariam qualquer decisão que emergir das negociações.

O mesmo não se pode esperar da Suprema Corte, que ordenou a prisão de Zelaya, no dia 28 de junho, por um grupo de soldados armados. Na ocasião, eles invadiram o Palácio Presidencial, arrancaram-no da cama e o obrigaram a embarcar, ainda de pijamas, para a Costa Rica.

Em um comunicado, Zelaya pediu aos países ocidentais que "aumentem a sanções econômicas contra o regime de fato".

Os Estados Unidos e outros países já supenderam a ajuda que vinham oferecendo ao empobrecido país da América central.

Sanções

Ainda nesta sexta-feira, líderes dos países reunidos na 7ª reunião de cúpula da Alba decidiram impor "sanções econômicas e comerciais" contra o governo interino de Honduras.

Segundo a resolução, o grupo não reconhecerá nenhum processo eleitoral realizado pelo regime de Micheletti ou o resultado do pleito.

O bloco afirmou ainda que convocará reuniões "imediatas e extraordinárias" de organizações como a ONU e a Organização dos Estados Americanos (OEA) e da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) para discutir o assunto.

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