Mantega defende bancos brasileiros perante críticas do FMI

Washington, 23 abr (EFE).- O ministro da Fazenda, Guido Mantega, defendeu hoje a solidez dos bancos brasileiros e disse que pedirá explicações ao diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, por um comentário em que apontou a vulnerabilidade das entidades latino-americanas.

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"Os bancos brasileiros estão absolutamente sólidos porque no Brasil a regulação é muito rigorosa", afirmou Mantega à imprensa na sede do FMI antes de um encontro com Strauss-Kahn.

Em entrevista publicada hoje por quatro jornais latino-americanos, o ex-ministro francês afirmou que "se a desaceleração da economia continuar por muito tempo, até os bancos da América Latina carregarão ativos tóxicos".

A declaração foi mal recebida no Governo e Mantega alertou que esses comentários afetam o mercado.

"Se não se esclarecer isso rapidamente, poderíamos imaginar que ele tem informações que outros não têm. No entanto, ele não tem mais informação que eu, que conheço profundamente os bancos brasileiros", declarou Mantega.

"Acho que ele cometeu um deslize de linguagem", completou o ministro, que está em Washington para participar da reunião do Grupo dos Vinte (G20, que reúne os países mais ricos e os principais emergentes) na sexta-feira e da assembleia semestral do FMI e do Banco Mundial, que acontece neste fim de semana.

O ministro destacou que os bancos de seu país mantêm R$ 17 em reservas para cada R$ 100 que empresta, em comparação com um mínimo de 8% estipulado nas normas internacionais.

Fora isso, previu que os bancos registrarão lucros este ano, apesar da crise.

Mantega também mostrou seu desacordo com o Fundo em relação a suas perspectivas de crescimento para o Brasil.

O Fundo augura que a economia brasileira terá contração de 1,3% este ano e se expandirá 2,2% em 2010.

Por outro lado, Mantega afirmou que o Brasil crescerá este ano, ainda que pouco. "Estaremos mais próximos da Índia e da China, que são os países que terão crescimento positivo, que dos Estados Unidos ou da Alemanha", frisou.

O ministro afirmou também que o Brasil poderá realizar uma contribuição adicional de dinheiro ao FMI, acima dos US$ 4,5 bilhões já anunciados.

No entanto, Mantega afirmou que só fará isso caso o organismo crie um mecanismo para a emissão de bônus que os países-membros possam adquirir, no que a China também está interessada.

A gerência da entidade preparou a minuta de uma proposta para a assembleia, mas Mantega disse que não será aprovada porque como estão desenhados os bônus são a muito longo prazo. EFE cma/rr

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