falta de ambição do FMI em reforma - Mundo - iG" /

Mantega critica falta de ambição do FMI em reforma

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, criticou neste sábado o que chamou de falta de ambição do FMI (Fundo Monetário Internacional) no processo de reforma na divisão de cotas do organismo. Estamos apavorados pelo contraste entre a ambição demonstrada pela diretoria e a equipe ao falar sobre possíveis novos papéis do Fundo em termos de empréstimos e monitoramento e a falta de ambição demonstrada nos recentes documentos sobre a revisão de cotas, afirmou o ministro neste sábado, durante a reunião do Comitê Monetário e Financeiro Internacional (IMFC, na sigla em inglês), em Washington.

BBC Brasil |

Mantega é um dos integrantes do IMFC, órgão formado por ministros de 24 países que tem o papel de assessorar o conselho de governadores do FMI e recomendar a adoção de políticas e a realização de estudos sobre reformas.

"A legitimidade do Fundo depende de uma redistribuição substancial no poder de decisão. A legitimidade deve ser a questão número um na agenda da instituição", disse Mantega.

"Essa deveria ter sido a principal lição da crise. Aparentemente, não foi clara ou alta o suficiente para todos, já que continuamos vendo a questão ser adiada ou empurrada para a margem da agenda", afirmou o ministro.

Países emergentes, como o Brasil, defendem uma reforma no FMI e no Banco Mundial e afirmam que a atual estrutura dessas instituições é ultrapassada e ainda reflete a ordem mundial do período pós-guerra.

Esses países querem mais voz e mais poder de decisão nessas instituições, uma demanda que ganhou força com a crise econômica mundial, na qual muitos emergentes foram menos afetados e apresentaram uma recuperação mais rápida do que as economias avançadas.

Critérios
No ano passado, ficou decidido que 5% das cotas de países ricos, que estariam "super-representados" no FMI, seriam transferidas para nações "subrepresentadas", mas ainda falta decidir os critérios dessa reforma. Esse percentual ainda é menor do que os 7% pleiteados pelo Brasil e outros países emergentes.

O Brasil defende que os critérios para essa reforma levem em conta o peso do PIB (Produto Interno Bruto) e da contribuição de cada país para o desenvolvimento mundial.

"De 2004 a 2009, os mercados emergentes e países em desenvolvimento contribuíram com mais de três quartos do crescimento global do PIB em poder de paridade de compra", disse Mantega na reunião.

Desde que chegou a Washington, nesta semana, Mantega tem insistido na urgência de fazer as reformas no FMI, antes que os atuais líderes do G20 (grupo que reúne países ricos e em desenvolvimento, do qual o Brasil faz parte) deixem o poder.

Segundo o ministro, isso poderia reduzir o apoio político que existe atualmente pelas reformas.

O ministro já disse que gostaria de ter uma proposta pronta para apresentar aos chefes de Estado e de governo do G20 em junho, quando se reunirão no Canadá, e de ter a reforma pronta antes do fim do ano.

No comunicado da reunião deste sábado, os membros do IMFC disseram que "se comprometem em completar a reforma de cotas antes de janeiro de 2011".

Taxação
As propostas de reforma no FMI ocorrem em um momento em que os países discutem uma ampla reforma no setor financeiro internacional, com o objetivo de prevenir a ocorrência de novas crises.

Neste sábado, em entrevista coletiva, o diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Khan, voltou a falar sobre as divisões em relação à proposta de taxação dos bancos apresentada pelo Fundo e a pedir que os países ajam de maneira coordenada.

A ideia do FMI é criar novos impostos para bancos e instituições financeiras, com o objetivo de garantir recursos para financiar eventuais pacotes futuros de resgate - como os que muitos governos foram obrigados a liberar durante a fase mais aguda da crise - e restringir os riscos assumidos por essas instituições, o que ajudaria a prevenir novas crises.

Apesar de concordarem com a ideia para outros países, alguns emergentes, entre eles o Brasil, rejeitam a taxação em seus próprios sistemas financeiros.

"Alguns países acreditam que não precisam disso. Provavelmente, porque seus setores financeiros não foram atingidos tão duramente. A economia inteira foi atingida pela crise, mas não especialmente o setor financeiro e não especialmente os bancos", disse Strauss-Khan.

"Nosso argumento principal é que tudo isso (a reforma financeira internacional) deve ser feito de maneira coordenada, para evitar qualquer tipo de arbritragem regulatória (migração de bancos para locais com taxas e regulação menores)", afirmou o chefe do FMI.

Na sexta-feira, Mantega disse que os países do grupo Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) concordam que a taxação "é mais adequada para economias que tiveram prejuízos financeiros pela atuação dos bancos ou das instituições financeiras".

"Nós não tivemos isso", disse o ministro.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG