Mantega adverte FMI contra condições em empréstimos ambientais

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou neste domingo que o FMI (Fundo Monetário Internacional) deve levar em conta os interesses dos países em desenvolvimento quando faz empréstimos para essas nações com o objetivo de preservar florestas e conter o aquecimento global. Os comentários de Mantega foram feitos durante o seu pronunciamento da reunião do Comitê de Desenvolvimento do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, em Washington, neste domingo.

BBC Brasil |

O ministro também frisou que o Banco Mundial deve evitar ''a tentação de se tornar um banco de mudanças climáticas''.

Segundo Mantega, os empréstimos do IFC, o braço do Banco Mundial responsável por conceder empréstimos ao setor privado de países em desenvolvimento, não devem ser condicionados por medições prematuras das chamadas ''pegadas de carbono'' de nações emergentes.

O termo se refere à medição do impacto de atividades humanas no meio ambiente em termos de gases poluentes, calculados em unidades de dióxido de carbono.

Mantega lembrou dados do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) da ONU, de acordo com os quais as florestas mundiais responderam por 17% da emissão de gases poluentes em 2004, mas sustentou que as florestas são "vítimas" e não culpadas pelo aquecimento global.

O ministro disse ainda que se nenhuma ação for tomada para mitigar os efeitos do aquecimento global, a Amazônia perderá 30% de sua área florestal e se tornará "uma savana''.

Desenvolvimento
Para o ministro, ''não se deve esperar que o os países em desenvolvimento contribuam para o combate ao aquecimento global às custas de seu próprio desenvolvimento''.

''O combate para prevenir o aquecimento global exige novas ações por parte dos países desenvolvidos para que eles reduzam suas emissões e acatem padrões mais rígidos de emissões. Para os países em desenvolvimento, qualquer ação de mitigação precisa ser acompanhada por transferência tecnológica e por recursos financeiros adicionais.''
Mantega também voltou a defender os biocombustíveis brasileiros que, segundo ele, "mostraram-se uma tecnologia promissora em muitos países em desenvolvimento''.

Ele acrescentou que os combustíveis alternativos precisam ''receber apoio como uma fonte estratégica de energia limpa capaz de gerar benefícios ambientais, sociais e econômicos''.

Mantega também criticou a política americana de subsídios. ''As pesquisas atuais fortemente corroboram o argumento contrário aos mercados altamente protegidos e subsidiados de biocombustíveis dos países desenvolvidos'', disse o ministro.

O impacto dos biocombustíveis sobre a produção de alimentos será um dos temas debatidos na 30ª Conferência Regional para a América Latina e Caribe da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), que terá início nesta segunda-feira, em Brasília.

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