Por Luis Jaime Acosta BOGOTÁ (Reuters) - O ministro da Defesa da Colômbia, Juan Manuel Santos, disse na sexta-feira que as manobras militares que serão realizadas por Venezuela e Rússia no Mar Caribe reativarão a Guerra Fria entre Moscou e Washington e colocarão em risco a estabilidade regional.

É a primeira declaração de uma alta autoridade do governo colombiano sobre as manobras militares com naves de guerra dos dois países no Caribe em novembro, depois da recente crise entre Bogotá e Caracas.

As manobras serão as primeiras deste tipo na América desde a Guerra Fria.

"Quem iria pensar há alguns anos que nós estaríamos...pelo menos próximos de um ressurgimento da guerra fria entre as grandes potências do mundo onde países vizinhos estão diretamente envolvimentos, países vizinhos que de certa forma tem tido ligações muito diretas com nossos inimigos internos", declarou Santos a jornalistas.

As relações entre Colômbia e Venezuela se recuperam de uma crise que começou no fim de 2007, quando o presidente Alvaro Uribe suspendeu a mediação de seu colega Hugo Chávez com as Farc, na tentativa de libertação de um grupo de reféns sequestrados pela guerrilha.

A situação se agravou em março, quando Chávez, em solidariedade ao Equador e depois de um bombardeio colombiano na selva equatoriana que matou um dos líderes das Farc, ordenou a mobilização de tropas na fronteira binacional.

A Colômbia é o principal aliado dos Estados Unidos na América Latina, enquanto Chávez é o maior crítico dos EUA na região e nos últimos dois anos assinou com Moscou 12 contratos para comprar armas, incluindo fuzis, aviões de combate, helicópteros, armas antiaéreas e submarinos.

Os dois países tem estreitado suas relações após o desentendimento de Moscou e Washington devido à breve guerra da Rússia com a vizinha Geórgia, em agosto.

"Acredito que é importante averiguar onde estamos e para que estamos jogando", disse Santos antes de viajar para a Rússia, onde participará de uma reunião da Interpol e conversará com autoridades do governo de Moscou.

"Vamos perguntar aos russos que papel vão jogar, onde nós jogamos e tratar de administrar as relações com a Rússia", disse o ministro.

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