Manifestantes voltam a protestar contra a Otan

Estrasburgo (França), 3 abr (EFE).- Centenas de manifestantes voltaram a protestar hoje contra a cúpula da Otan na fronteira entre França e Alemanha, às vésperas da marcha prevista para amanhã, sábado em Estrasburgo, no nordeste da França, que promete ser o maior ato de série contra a reunião da aliança militar.

EFE |

Os distúrbios se repetiram hoje em Estrasburgo, no conflituoso bairro de Neuhof, onde ontem mais de 100 pessoas foram detidas.

Segundo funcionários da Prefeitura do departamento francês de Baixo Reno informaram à Agência Efe, às 17h locais (12h de Brasília), a Polícia conseguiu dispersar cerca de 300 manifestantes após enfrentá-los com barricadas e canhões de água.

Não houve prisões, mas meia-hora depois voltou a haver choques, nos quais os policiais usaram gás lacrimogêneo.

Os distúrbios começaram quando um ônibus de pacifistas contra a Otan disfarçados de palhaços pretendia chegar ao centro da cidade.

Após a retirada do ônibus, entrou em ação outro grupo de agitadores, vestidos de preto e com o rosto coberto, cobertos de todo tipo de projéteis.

Após os incidentes, a Prefeitura de Baixo Reno deu a ordem para que voltassem a funcionar as linhas de ônibus e bonde suspensas por motivos de segurança.

Essa ordem não inclui, no entanto, o setor de Ganzau, onde se ergueu a já batizada como "cidade antiOtan", e o bairro de Neuhof, palco dos maiores conflitos entre manifestantes e policiais.

Do outro lado do Reno, na cidade alemã de Baden Baden, também aconteceu uma manifestação contra a Otan, com apenas 50 pessoas e sem incidentes destacáveis.

Nessa vila de águas termais, a apenas 60 quilômetros de Estrasburgo, a primeira-ministra alemã, Angela Merkel, receberá hoje à noite os participantes da cúpula, aos que convidou a um jantar de gala no Cassino.

Os trabalhos da cúpula, porém, só começarão amanhã, quando se espera que Estrasburgo viva uma das manifestações mais agitadas de sua história, protagonizada pelos milhares de ativistas chamados esperados para a "anticúpula" da organização.

Os organizadores do protesto receberam com desagrado o percurso aprovado pela Prefeitura de Baixo Reno, que evitou a passagem deles pelo centro da cidade e, inclusive, por áreas habitadas.

Entre os as entidades que convocaram a marcha estão o Partido Comunista Francês, o Partido Verde alemão, o Novo Partido Anticapitalista, o Partido dos Muçulmanos da França e o Coletivo Judeu-Árabe e Cidadão pela Paz, que devem chegar na primeira hora de amanhã, a Estrasburgo.

Boa parte deles o fará chamado "trem pela justiça e pela paz" procedente do sul da França.

Os ocupantes do acampamento "antiOtan" terão que percorrer 3,5 quilômetros a pé para participar do protesto, cujo início está previsto para as 13h locais (8h de Brasília).

A manifestação centrará suas reivindicações contra a entrada da França na estrutura militar da Otan, a intervenção militar no Afeganistão e a escalada da corrida armamentista, sobretudo, da nuclear.

Curiosamente, a manifestação começará a cerca de um quilômetro de onde cinco horas antes está previsto que os chefes de Estado e do Governo da Otan tirem a fotografia oficial, sobre a ponte do Reno que une Estrasburgo, na França, a Kehl, na Alemanha.

O ato se desenvolverá durante quatro horas nos arredores do porto do Reno, em Estrasburgo, e terminará com um espetáculo no Champ de Foire, na mesma cidade.

Quando se iniciar a manifestação, os participantes da cúpula da Otan ainda estarão reunidos no Palácio de Congressos e Exposições de Estrasburgo, a cinco quilômetros. EFE ja/jp

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