Manifestantes vão fracassar, diz presidente do Irã

Ahmadinejad faz afirmação após parlamentares pedirem execução de líderes opositores; protestos de segunda deixaram dois mortos

iG São Paulo |

O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, afirmou nesta terça-feira que os "inimigos" que planejaram protestos antigoverno em Teerã na segunda-feira vão fracassar. "Está claro e evidente que a nação iraniana tem inimigos porque é um país que quer brilhar e alcançar seu pico e quer mudar as relações (entre os países) no mundo", disse Ahmadinejad em entrevista ao vivo na emissora estatal.

AFP
Parlamentares iranianos fazem manifestação pedindo julgamento para líderes da oposição
"Claro que existe muito animosidade, mesmo contra o governo. Mas eles (os organizadores dos protestos) vão fracassar", disse, quando questionado sobre a reação aos protestos contra o governo que ocorreram nas ruas da capital, Teerã, e em outras cidades na segunda-feira.

As manifestações deixaram dois mortos e muitos feridos, incluindo nove membros das forças de segurança, afirmaram fontes oficiais. Também há registros de que dezenas foram presos na repressão aos protestos.

Os policiais usaram golpes de cassetete e bombas de gás lacrimogêneo para conter a multidão, que se reuniu em vários pontos da capital iraniana. As autoridades cortaram a eletricidade e bloquearam o funcionamento de telefones celulares no centro de Teerã. A BBC recebeu relatos de protestos similares em outras importantes cidades iranianas, como Isfahan, Mashhad e Shiraz.

Pedido de execução

Antes das declarações de Ahmadinejad, parlamentares iranianos pediram que os líderes opositores Mir Hossein Mousavi e Mehdi Karroubi sejam julgados e executados . A TV estatal mostrou uma marcha de cerca de 50 parlamentares na sede do Parlamento, realizada nesta terça-feira. Eles gritavam palavras de ordem como "Morte a Mousavi" e "Morte a Karroubi".

A agência oficial Irna divulgou um comunicado no qual os parlamentares dizem que os dois líderes são "corruptos na Terra e devem ser julgado". A acusação de "corrupção na Terra" já foi usada contra dissidentes políticos no passado e prevê a pena de morte no caso de condenação.

Na segunda-feira, por meio de seu site oficial, Mousavi afirmou que a polícia o colocou em prisão domiciliar para impedir sua participação no protesto convocado em solidariedade às revoltas populares no Egito e na Tunísia. Karroubi também teria sido proibido de sair de casa.

Estados Unidos

Em coletiva nesta terça-feira, o presidente dos EUA, Barack Obama, fez críticas ao governo do Irã por usar violência contra "manifestantes pacíficos".

Ao comentar as manifestações populares que levaram à queda de Hosni Mubarak no Egito, Obama disse ser "irônico" que o governo iraniano " finja celebrar " os acontecimentos egípcios quando responde com agressões a manifestações pacíficas dentro de seu próprio país.

Obama declarou apoiar os protestos realizados pela oposição iraniana na segunda-feira e disse esperar que os manifestantes tenham a "coragem" de continuar a expressar seu desejo por mais liberdade.

O líder americano também afirmou que os líderes do Oriente Médio " não podem ficar para trás " enquanto suas populações reivindicam mudanças.

Uma onda de protestos atingiu Estados do Oriente Médio e do norte da África desde meados de janeiro, quando semanas de manifestações antigoverno forçaram o autocrata tunisiano Zine El-Abidine Ben Ali fugir para a Arábia Saudita . Além do Egito, movimentos de oposição saíram às ruas na Argélia , Jordânia , Iêmen , Bahrein e Sudão .

"O que realmente trará estabilidade a essa região é se os jovens, a população comum, sentir que há formas para alimentar suas famílias, conseguir trabalhos decentes e educação, para aspirar por uma vida melhor", disse Obama. "E quanto mais passos esses governos derem para oferecer esses caminhos para a mobilidade e a oportunidade, mais estáveis ficarão. Não se pode manter o poder pela coerção."

Em seu primeiro grande discurso desde o levante egípcio, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, advertiu aos governos repressivos que não restrinjam a liberdade na internet, afirmando que tais esforços de qualquer forma acabarão fracassando.

*Com AFP e BBC

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