Manifestantes tomam ruas de Roma e Milão para protestar contra Berlusconi

Protesto teve a participação de vários estudantes que já tinham tomado as ruas de 90 cidades do país em outra manifestação

EFE |

Milhares de pessoas se concentraram em ruas de Roma e Milão neste sábado para protestar contra a atuação e as políticas adotadas pelo governo de Silvio Berlusconi. Em Roma, manifestantes convocados pela Confederação Geral Italiana do Trabalho (CGIL) e pelo partido Esquerda, Ecologia e Liberdade (SEL) percorreram as ruas da capital italiana em uma manifestação contra os cortes salariais dos trabalhadores públicos e em defesa da educação pública.

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AFP
Protesto realizado em Roma neste sábado
O protesto, considerado um "assanhamento" pelo governo italiano, teve a participação de vários estudantes, que na última sexta já tinham tomado as ruas de 90 cidades do país para protestar contra cortes nos gastos públicos, uma medida adotada no último plano de ajustes.

A passeata na capital italiana percorreu os três quilômetros que separam a Praça da República e a do Povo, cumprindo seu objetivo de maneira pacífica. Muitos cartazes da manifestação faziam alusão aos escândalos sexuais que geralmente envolvem o nome do primeiro-ministro.

O líder do SEL, Nichi Vendola, afirmou à imprensa local que a Itália "precisa de investimentos em saúde e ensino público". Seguindo a mesma linha, a secretária-geral do sindicato CGIL, Susanna Camusso, afirmou que "o país já não aguenta mais essa situação".

 "A Itália é um país que não quer que todo o peso caia sobre suas costas, é um país que está há anos negando a existência da crise", afirmou Susanna, concluindo que não será possível "recuperar a credibilidade do Executivo enquanto Berlusconi não deixar o poder".

Já na cidade de Milão os protestos foram organizados pela associação "Liberdade e Justiça", apresentando o lema "Remendar Itália". Os organizadores da manifestação definiram o ato com a frase "com agulha e linha na mão, vamos costurar um vestido de dignidade para o país".

A passeata de Milão contou com vários nomes da cultura italiana, como o jornalista Marco Travaglio e o escritor Roberto Saviano (autor do livro "Gomorra"), além do prêmio Nobel de Literatura Dario Fo, que fez severas críticas ao governo de Berlusconi.

Uma nota assinada pelo presidente emérito do Tribunal Constitucional, Gustavo Zagrebelsky, ressaltou que "cada vez mais, uma parte crescente do povo italiano se afasta daqueles que foram chamados para governar".

Segundo Zagrabelsky, esse distanciamento pode ser exemplificado pelas solicitações de plebiscitos contra o governo e os resultados das últimas eleições regionais, nas quais o partido de de Berlusconi perdeu alguns de seus tradicionais redutos, entre eles Milão. EFE ebp/fk/id

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