Manifestantes tomam prédio do governo da Moldávia em protesto

Por Dmitry Chubashenko CHISINAU (Reuters) - Manifestantes que contestam a vitória dos comunistas nas eleições da Moldávia apoderaram-se nesta terça-feira dos escritórios presidenciais e invadiram o Parlamento, arremessando móveis e computadores nas ruas, disseram repórteres da Reuters.

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Cerca de 10.000 manifestantes no país mais pobre da Europa se reuniram pelo segundo dia consecutivo após o Partido Comunista, liderado pelo veterano presidente Vladimir Voronin, ter obtido uma grande vitória nas eleições parlamentares do fim de semana.

Horas depois dos protestos terem tomado o centro da normalmente pacata capital do país, líderes oposicionistas realizaram uma manifestação e pediram uma nova eleição.

A maioria dos manifestantes era formada por estudantes que não vêem futuro para o país se os comunistas mantiverem o poder na ex-república soviética, que tem quatro milhões de habitantes e está espremida entre a Ucrânia e a Romênia.

Manifestantes atirando pedras não foram contidos pela polícia, que protegia o gabinete presidencial e o Parlamento -- localizados de lados opostos da principal avenida de Chisinau --, e invadiram ambos os prédios através das janelas quebradas.

Eles amontoaram mesas, cadeiras e papéis e os incendiaram do lado de fora do Parlamento. Fogo também podia ser visto em algumas das janelas do edifício. Do lado de fora do gabinete presidencial, manifestantes quebraram e incendiaram computadores.

Alguns policiais foram vistos tratando ferimentos leves.

"A eleição foi controlada pelos comunistas. Eles subornaram todo mundo", afirmou Alexei, um estudante. "Não teremos futuro com os comunistas, porque eles só pensam neles mesmos."

O presidente russo, Dmitry Medvedev, já tinha parabenizado Voronin pela vitória de seu partido, e o Ministério das Relações Exteriores da Rússia disse estar "muito preocupado" com os acontecimentos na Moldávia.

O país é uma das seis ex-repúblicas soviéticas para as quais a União Europeia deve lançar um novo programa de laços fortalecidos em um encontro em Praga, no próximo mês.

O chefe de política externa da UE, Javier Solana, pediu que todos os lados se contenham.

"Violência contra edifícios do governo é inaceitável. Igualmente importante é o respeito ao direito inalienável de reunir manifestantes pacíficos", afirmou.

(Reportagem adicional de Sabina Zawadzki e Dmitry Solovyov em Moscou)

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