Manifestantes tomam 65 policiais como reféns no Peru

Manifestantes no Peru tomaram 65 policiais como reféns depois de uma tentativa da polícia de reprimir protestos usando bombas de gás lacrimogênio. O governo tinha enviado, de Lima, policiais de helicóptero à região de Moquegua, no sul do país, para reprimir os protestos feitos por mineiros na região, que bloquearam as estradas.

BBC Brasil |

Moradores da região e manifestantes reagiram às bombas de gás lacrimogênio tomando policias locais como reféns.

Os mineiros reivindicam uma participação maior nos impostos cobrados ao maior produtor de cobre do Peru, a mineradora Southern Peru, e iniciaram a greve há mais de uma semana. Os policiais foram enviados para desbloquear as estradas interrompidas pelos manifestantes.

No entanto, a situação se complicou na segunda-feira, depois que os manifestantes tomaram os 65 policias como reféns. Há relatos de que alguns policiais feridos foram soltos pelos manifestantes e aproximadamente 20 deles foram removidos para a catedral da cidade por medida de segurança, mas cerca de 40 permanecem detidos.

De acordo com o correspondente da BBC em Lima, Dan Collyns, os policiais da região afirmaram que o número de manifestantes aumentou desde o início da greve e atualmente, são quase 20 mil, apoiados por políticos e moradores locais.

Após fracassar em controlar os protestos, os policiais abandonaram o local de helicóptero e jogaram gás lacrimogêneo contra os manifestantes.

Crise
O primeiro-ministro peruano, Jorge del Castillo, acusou extremistas de incentivar os protestos e aconselhou que as pessoas ficassem de fora das manifestações, mas não conseguiu dissuadir os manifestantes.

Na semana passada, o governo teve que enviar combustível e alimentos por navio para a região, já que as estradas de acesso estavam bloqueadas.

De acordo com Collyns, o presidente peruano, Alan Garcia, está sendo pressionado a compartilhar os benefícios do boom econômico com a população mais pobre.

A mineração está impulsionando o bom momento da economia do país, e o alto preço dos minérios está gerando lucros enormes para as empresas.

O correspondente destaca ainda que Garcia é um dos líderes menos populares da América Latina e quanto mais ele demorar para atender aos mais pobres, mais baixo ficará seu índice de aprovação.

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