Manifestantes tailandeses prometem continuar com protestos

Por Nopporn Wong-Anan BANGCOC, Tailândia (Reuters) - Os manifestantes que tentam depor o governo da Tailândia ameaçaram na quarta-feira realizar mais protestos na capital do país, um dia depois de duas pessoas terem morrido e 400 terem ficado feridas na pior onda de enfrentamentos de rua ocorrida no país em 16 anos.

Reuters |

O primeiro-ministro Somchai Wongsawat conversou com embaixadores do sul da Ásia a respeito da crise política, afirmando-lhes que o governo tinha "certeza de que conseguirá lidar com a situação", disse à Reuters um diplomata presente no encontro.

A campanha da oposição e os recentes episódios de violência abalam a confiança dos investidores e desviam a atenção do governo no momento em que este deveria concentrar-se na desaceleração da economia e nas consequências da crise mundial de crédito, afirmam analistas.

Líderes do grupo Aliança do Povo pela Democracia (PAD), que comandam os manifestações, prometeram continuar com sua campanha de mobilização, iniciada quatro meses atrás.

"Não podemos aceitar um governo com sangue nas mãos. Mais pessoas vão às ruas para depor esse governo", afirmou ao canal TV3 Sirchai Maingam, líder da PAD.

As ruas em torno do Parlamento tailandês estavam tranquilas depois de as Forças Armadas terem estacionado soldados desarmados na área a fim de ajudar a polícia a restabelecer a ordem.

Policiais identificaram um homem morto por um carro-bomba detonado perto do Parlamento na terça-feira. Ele seria Methee Chatmontri, um ex-coronel da polícia e parente de um líder da PAD no nordeste da Tailândia.

O vice-chefe da polícia de Bangcoc, Amnuay Nimmano, afirmou a repórteres que as autoridades tentavam determinar a origem dos explosivos e se Methee conhecia o proprietário do jipe SUV destruído no incidente.

Uma manifestante morreu em meio aos conflitos com policiais, que dispararam bombas de gás lacrimogêneo e granadas de efeito moral contra os que protestavam. Os partidários da oposição responderam com pedras, pedaços de pau e disparos de pistola.

Em um hospital, no qual visitava policiais feridos nos conflitos, Somchai defendeu a utilização do gás lacrimogêneo contra os manifestantes.

"Policiais foram atingidos com barras de ferro, mastros de bandeira e até tiros. A mobilização não foi tão pacífica quanto dizem os manifestantes", afirmou a repórteres.

Ao sair do local, o premiê viu aproximar-se uma simpatizante da PAD que gritou: "Somchai, o tirano. Somchai, o assassino."

(Reportagem adicional de Chalathip Thirasoonthrakul)

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