Manifestantes tailandeses espalham sangue em frente à sede do Governo

Gaspar Ruiz-Canela. Bangcoc, 16 mar (EFE).- As dezenas de milhares de camisas vermelhas que exigem eleições antecipadas na Tailândia entraram hoje no terceiro dia de protestos em Bangcoc e derramaram sangue de voluntários em frente ao Palácio do Governo para chamar atenção para sua causa.

EFE |

Apesar de as vozes mais ouvidas hoje terem sido as dos "camisas vermelhas", a mobilização organizada pela Frente Unida para a Democracia e contra a Ditadura começou a perder força. O grupo, que reuniu um milhão de pessoas no domingo, busca novas estratégias.

Um dos dirigentes da plataforma, Natthawut Saikua, propôs que as pessoas doassem sangue e o colocassem na frente do Palácio do Governo. "Assim, se Abishit (Vejjajiva, atual primeiro-ministro) e seus ministros quiserem entrar na Casa do Governo para trabalhar, terão que pisar no sangue do povo", explicou Saikua.

Apesar de serem proibidos por lei de participar da política, os primeiros voluntários a participar do protesto foram vários monges budistas vestidos com suas tradicionais túnicas açafrão. Em seguida, mulheres, jovens e idosos estenderam seus braços para as enfermeiras.

"Estamos oferecendo nossas vidas, nosso próprio sangue, que mais temos que fazer para que o Governo escute a minoria?", afirmou um dos manifestantes enquanto deixava a enfermaria improvisada.

Cerca de 20 mil voluntários participaram da coleta - a previsão inicial era de 100 mil pessoas. A ação recebeu críticas de diversas organizações humanitárias e até do ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, deposto no levante de 2006 e ídolo dos "camisas vermelhas".

Outro membro da Frente Unida, Jatuporn Promphan, propôs hoje que todos os deputados do partido aliado a Shinawatra, o Puea Thai, renunciassem a seus mandatos ao mesmo tempo.

Promphan explicou que dessa forma seria possível forçar a dissolução do Legislativo. No entanto, ele reconheceu, quando questionado por um jornalista, que, apesar de ser deputado pelo partido, não pensava em dar o exemplo: "Eu não quero ser um herói".

O foragido Shinawatra também não respaldou a iniciativa e chamou a atenção de seus partidários através de uma mensagem no Twitter escrita do exílio.

"Temos que tomar ações prudentes porque este Governo é como uma árvore com pilares especiais", disse Shinawatra, condenado a dois anos de prisão em 2008 por crimes de corrupção.

Por enquanto, a mobilização em Bangcoc transcorre de forma pacífica e sob a atenta vigilância de 50 mil militares e policiais, que têm ordens específicas de evitar o uso da força.

O Executivo se manteve discreto ao longo do dia, a sessão parlamentar foi suspensa por motivos de segurança e o primeiro-ministro tailandês, Vejjajiva, aproveitou o momento para viajar para o norte e visitar as zonas mais afetadas pela seca.

Surachai Danwattananusorn, chefe de um grupo de "camisas vermelhas", afirmou que ao menos metade dos seus correligionários já havia voltado para casa e que ele estava se preparando para fazer o mesmo.

O opositor tailandês disse que seus companheiros deverão ser derrotados pela fadiga nos próximos dias.

A Bolsa de Valores de Bangcoc subiu 2,36% nesta terça-feira, sinal de que os investidores não estão preocupados com o protesto.

As manifestações dos últimos dias são as maiores dos "camisas vermelhas" desde abril de 2009, quando um protesto terminou com dois mortos, 102 feridos e a decretação de "estado de emergência" em Bangcoc e cinco províncias vizinhas.

A Tailândia atravessa uma profunda crise política desde o golpe de Estado militar que derrubou Shinawatra em 2006. EFE grc/pb-sc

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