Manifestantes reforçam acampamento em Bangcoc com medo de ação militar

Os manifestantes que pedem a queda do Governo da Tailândia reforçaram hoje seu acampamento no centro de Bangcoc para defender-se de uma eventual ação militar, enquanto alguns de seus líderes consideravam negociar sua entrega em meados de maio.

EFE |

Ao longo do dia e apesar das fortes chuvas na capital tailandesa, os partidários da Frente Unida para a Democracia e contra a Ditadura realizaram cerimônias budistas para homenagear seus 18 companheiros que há uma semana morreram nos choques com as forças de segurança.

AP
Cerimônias budistas homenagearam os companheiros mortos
Cerimônias budistas homenagearam os companheiros mortos

Além dos ativistas, morreram nos enfrentamento quatro soldados e um jornalista japonês.

Temendo uma nova ação militar para combatê-los, os "camisas vermelhas" reforçaram os controles de segurança nos acessos a seu acampamento, montado nas proximidades de alguns dos mais luxuosos shoppings da capital e de vários hotéis de cadeias internacionais.

"Adotamos medidas de prevenção contra uma ofensiva e nvas tentativas de deter-nos", disse Nattawut Saikua aos jornalistas, um dos líderes dos protestos que começaram há um mês e que têm o objetivo de forçar a queda do Governo de coalizão do primeiro-ministro Abhisit Vejjajiva.

Também hoje, os manifestantes instalaram novas tendas de campanha, postos de comida e de primeiros socorros no centro da cidade, além de banheiros.

Os "camisas vermelhas" adotaram medidas de segurança adicionais um dia depois do fracasso da operação policial para deter os líderes de ala dura da Frente, e de o primeiro-ministro ter nomeado o chefe do Exército, general Anupong Paochinda, para a missão de restabelecer a ordem e a segurança na capital.

O porta-voz do Exército, general Sunsern Kaewkumnerd, disse ontem que havia planos de retirar os manifestantes da área metropolitana na qual estão acampados há uma semana, mas não deu mais detalhes.

Caisirt Shinawatra, ex-chefe do Exército tailandês, ofereceu sua mediação para acabar com os protestos que pioram a crise política na qual Tailândia está imersa desde o golpe de Estado perpetrado pelos militares em 2006.

Shinawatra disse, em entrevista coletiva, que ofereceu ajuda ao general Paochinda, para que mantenha encontros com os principais líderes dos "camisas vermelhas", a maioria partidários do ex-líder deposto em 2006, Thaksin Shinawatra.

"O general Anupong tem que fazer uma visita ao acampamento dos manifestantes e se reunir com os camisas vermelhas para abordar soluções à crise política", disse o general Shinawatra.

Na opinião do general reformado, o primeiro-ministro Vejjajiva tomou a decisão certa ao encarregar o chefe do Exército de restabelecer a ordem na capital, função que até o momento era desempenhada pelo vice-primeiro-ministro Suthep Thaugsuban.

Líderes da Frente Unida para a Democracia contra a Ditadura, formação criado por partidários de Shinawatra, consideravam enviar este fim de semana membros de seu grupo para negociar com a Polícia sua entrega no dia 15 de maio, disse à imprensa, Jatuporn Prompan, um dos chefes do movimento.

No entanto, nem todos compartilhavam a mesma ideia, já que o general reformado da Polícia e destacado ativista dos "camisas vermelhas" Chat Kuldirok assegurou que não tinha intenção de entregar-se às autoridades voluntariamente.

Shinawatra, agora no exílio e declarado foragido da Justiça, foi condenado a dois anos de prisão por abuso de poder.

A Frente dos "camisas vermelhas" considera ilegítimo o Governo de Vejjajiva, por ter sido eleito por meio de pactos parlamentares e não nas urnas.

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