Lima, 29 out (EFE).- Várias pessoas ficaram feridas à bala após os violentos distúrbios registrados hoje no nordeste e no sul do Peru, que incluem agora a ocupação de uma ponte e o incêndio em uma delegacia.

Na localidade de Nueva Cajamarca, a mais de 700 quilômetros do nordeste de Lima, cerca de mil pessoas incendiaram uma delegacia em protesto pelo despejo de moradores de uma casa, que gerou um enfrentamento com gás lacrimogêneo e afetou várias crianças de duas escolas.

A multidão enfurecida seguiu os policiais responsáveis pelo despejo até a delegacia local, onde roubaram vários computadores e atearam fogo no edifício, explicou por telefone à Agência Efe o porta-voz do município de Nueva Cajamarca, Rodolfo Huamán.

"Há quatro pessoas feridas à bala", entre elas uma criança de nove anos que recebeu um tiro na mandíbula, contou Huamán, após ressaltar que ao menos quatro policiais também foram feridas.

Enquanto isso, na região mineira de Moquegua, a mais de 1.200 quilômetros do sul de Lima, se vive um clima de tensão devido a um protesto para exigir que se modifique a distribuição da percentagem recebidas pelas regiões peruanas das rendas obtidas pelo Estado através da exploração dos recursos mineiros.

Em Moquegua, cerca de cinco mil pessoas bloquearam hoje, pelo segundo dia consecutivo, a ponte Montalvo, onde ontem os manifestantes tomaram como reféns três policiais, que foram libertados horas depois.

Nesses enfrentamentos cerca de 30 policiais e outros vários civis ficaram feridos, alguns deles à bala.

Os habitantes de Moquegua pedem uma divisão mais igualitária dos tributos sobre a mineração, ao considerar que a vizinha Tacna é mais beneficiada pelos impostos que o Estado cobra da mineradora Southern Cooper, de capital mexicano e que explora cobre em ambas as regiões.

Tacna também adere, desde hoje, uma greve pacífica de 48 horas, mas, ao contrário de Moquegua, para exigir que não se introduzam mudanças no sistema atual.

Além disso, na localidade de Sicuani, a mais de 1.300 quilômetros do sudeste de Lima, desde a semana passada os habitantes protestam contra a construção de uma hidrelétrica.

A tensão social aumenta no Peru quando faltam poucas semanas para a cúpula de líderes do Fórum de Cooperação Econômica da Ásia-Pacífico (Apec), que será realizada em Lima.

Desde que Alan García assumiu a Presidência do Peru em julho de 2007, o presidente enfrenta as queixas das regiões expostas a conseqüências do centralismo, exclusão e pobreza, que afeta 40% da população. EFE wat/rr

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.