Manifestantes pró-Zelaya fazem protestos em Honduras

Por Simon Gardner e Gustavo Palencia TEGUCIGALPA (Reuters) - Partidários do presidente hondurenho deposto, Manuel Zelaya, bloquearam nesta quinta-feira as principais rotas comerciais de Honduras, incluindo duas vias que conduzem à capital, Tegucigalpa, em um protesto para exigir a recondução dele ao cargo, antes de novas conversações no fim de semana, mediadas pela Costa Rica.

Reuters |

As manifestações de centenas de defensores de Zelaya prosseguiram enquanto o presidente costa-riquenho, Oscar Arias, se preparava para mediar o diálogo no sábado entre as dois lados rivais na crise política desencadeada pelo golpe militar de 28 de junho, que depôs o presidente de Honduras.

Observados por soldados armados e a polícia antimotim, os manifestantes bloquearam os acessos norte e sul para Tegucigalpa, cidade rodeada por montanhas, provocando um congestionamento de carros e caminhões por vários quilômetros, nas duas direções.

A polícia registrou protestos em Comayagua, no centro do país, e Copán, no oeste, em estradas por onde passam mercadorias comercializadas com o vizinho El Salvador.

Essa é a pior crise na América Central desde o fim da Guerra Fria. Arias vai mediar conversações entre representantes de Zelaya e de Roberto Micheletti, o presidente interino instalado pelo Congresso depois do golpe. Depois de uma rodada inicial inconclusiva, na semana passada, o impasse permanece.

Zelaya exige que Micheletti atenda aos chamados internacionais para sua imediata recondução ao cargo. Mas Micheletti diz que o Exército removeu legalmente Zelaya porque ele violou a Constituição ao tentar eliminar a proibição de reeleição presidencial. Ele descarta a ideia de retorno de Zelaya à Presidência.

Arias disse à rádio local da Costa Rica nesta quinta-feira que tentará firmar um acordo, como a formação de um governo de reconciliação nacional entre as duas partes ou uma anistia.

TOQUE DE RECOLHER

O golpe e o impasse em Honduras representam um teste em política externa para o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que busca melhorar as relações com a América Latina. Ele condenou rapidamente a deposição de Zelaya, definindo-a como ilegal, mas enfrenta os chamados do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, um aliado declarado de Zelaya, para que aumente a pressão sobre Micheletti, levando-o a reconduzir o presidente ao cargo.

Para conter os novos protestos dos partidários de Zelaya, o governo de Micheletti aumentou a segurança em todo o país e reimpôs um toque de recolher noturno na quarta-feira.

Na estrada de acesso a Tegucigalpa pelo norte, centenas de manifestantes bloquearam a via com pedras, gritando slogans pela volta de Zelaya.

"Se tivermos de paralisar o país, nós o faremos", disse Yadira Marroquin, de 44 anos, funcionária de um hospital.

(Reportagem adicional de Juana Casas, Esteban Israel em Tegucigalpa, Terry Wade em La Paz; John McPhaul em San Jose; Paul Eckert em Washington)

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