Manifestantes argentinos protestaram nus, nesta segunda-feira, na Praça de Maio, em frente à Casa Rosada, sede da Presidência do país, contra uma ordem de despejo de uma organização não -governamental de um prédio do Estado. Segundo a polícia, quarenta pessoas foram presas, entre elas um menor de idade.

Destes, oito tiraram as roupas durante o protesto. O delegado Mario Morales disse à imprensa argentina que a prisão foi adotada "porque eles estavam nus numa praça pública e foram presos por exibições obscenas".

A tropa de choque da polícia acabou com a manifestação e levou os ativistas para a delegacia.

"Alguns companheiros tiraram a roupa porque foi uma forma de mostrar que o Estado quer nos deixar nus e sem teto, na rua", disse a presidente da associação "Sentimiento", Graciela Draguisevich.

Segundo ela, a entidade atende cerca de 10 mil pessoas e reúne 21 cooperativas que oferecem desde classes de circo, uma farmácia de produtos naturais, além do cultivo de alimentos sem agrotóxicos e possui uma creche que atende às famílias de baixa renda.

Draguisevich argumenta ainda que a polícia teria prendido 50 pessoas, e não 40. Ela também sugere que alguns manifestantes teriam sido agredidos pelos policiais.

Um dos membro do grupo, Diego Bartalotta, disse que o objetivo da manifestação foi pedir ao Estado uma prorrogação para o uso de um edifício público, que a associação ocupa há onze anos.

"Estamos pedindo um prazo maior, já que o contrato venceu há dois meses", disse.

Protestos
O protesto ocorreu num momento em que voltam a ser registradas manifestações de diferentes setores em Buenos Aires.

Recentemente, donos de discotecas da capital argentina bloquearam o trânsito porque eram contrários ao novo limite de horário para o funcionamento destes locais.

Na última semana, organizações sociais interromperam o tráfego na principal via de Buenos Aires, a Avenida 9 de Julio, para receber benefícios diretamente do governo nacional e não através de repasse das prefeituras.

Quando estes grupos deixaram a avenida livre, outros a interromperam a via em apoio ao governo nacional e contra os manifestantes da véspera.

Dados do Centro de Estudos Nova Maioria indicam que desde 1997 não eram registradas tantas manifestações seguidas no país.

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