Assunção, 14 out (EFE) - Um grupo de funcionários municipais e habitantes da localidade de Lambaré queimou hoje pneus em frente à residência do presidente do Paraguai, Fernando Lugo, em protesto contra o veto de um projeto de lei que cede parte do território de Assunção a esse município.

O protesto, que ocorreu diante do local no qual o ex-bispo viveu até assumir o cargo, em 15 de agosto, foi liderado por funcionários da Prefeitura dessa localidade e por vizinhos da área, que atiraram lixo e outros objetos em frente à residência.

A medida de força aconteceu momentos depois de Lugo vetar um projeto de desapropriação de 483 hectares de território da capital do país em favor de Lambaré, que tinha sido aprovado há duas semanas pelo Congresso.

A manifestação terminou depois que o prefeito de Lambaré, Roberto Cárdenas, conseguiu dissuadir os manifestantes e anunciou futuras medidas judiciais para tentar reverter a determinação do Executivo.

O ministro do Interior, Rafael Filizzola, anunciou em entrevista coletiva que o presidente paraguaio resolveu "vetar totalmente o projeto de lei", que deverá voltar ao Congresso, ao considerar que "contraria normas fundamentais da Constituição".

A área em disputa inclui o Cerro Lambaré, situado sobre o rio Paraguai, o porto de Itá Enramada, uma região comercial e uma zona de movimentados hotéis, que ao ano pagam US$ 2 milhões em impostos.

O anúncio aconteceu também em meio a manifestações realizadas por funcionários da Prefeitura de Assunção nos arredores do Congresso para exigir o veto e em rejeição dos legisladores que apoiaram a desapropriação.

A própria prefeita de Assunção, Evannhy de Gallegos, liderou as manifestações de protesto, que nos últimos dias incluiu uma corrente humana e bloqueios das avenidas que levam a Lambaré. EFE rg/db

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