Manifestantes protestam contra plano de resgate na Irlanda

País negocia auxílio da União Européia e do FMI para conter crise financeira

BBC Brasil |

Dezenas de milhares de pessoas foram às ruas em Dublin para protestar contra o plano de contenção anunciado nesta semana pelo governo da Irlanda, em resposta à crise econômica que atinge o país. Sindicatos afirmam que mais de 100 mil pessoas participaram do protesto neste sábado, mas a polícia irlandesa estima que o número ficou em torno de 50 mil manifestantes.

Mcdara Doyle, porta-voz do Congresso Irlandês de Sindicatos, disse à BBC que a manifestação tinha como objetivo enviar uma mensagem clara ao governo. "Estamos tentando convencer o governo e mostrar ao governo que não há apoio para o plano em meio à sociedade civil e que cada medida que eles tomaram tem sido exatamente o oposto do que eles precisam fazer", afirmou.

AP
Cerca de 50 mil marcharam em Dublin em protesto contra o severos cortes e plano de resgate negociado com UE e FMI

A manifestação deste sábado é uma resposta dos sindicatos irlandeses a um pacote de austeridade do governo que pretende aplicar medidas severas, entre elas, cortes de milhares de vagas no setor público e a redução do salário mínimo. A marcha em Dublin deste sábado também coincidiu com a reunião de autoridades irlandesas para cuidar dos últimos detalhes de um pacote de ajuda da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional (FMI) ao país.

O plano do governo irlandês prevê a redução de 1 euro, para 7,65 euros a hora, no salário mínimo e o aumento do imposto sobre o valor agregado (VAT, em inglês), dos atuais 21% para 22% em 2013, com um outro aumento para 24% em 2014. Entre as medidas anunciadas está o corte nos gastos e a criação de um novo imposto sobre imóveis, além de cortes de milhares de cargos públicos. O plano pretende cortar 24.750 vagas no setor público, poupar 2,8 bilhões de euros em gastos no setor de bem-estar e aumentar o imposto de renda em 1,9 bilhão de euros.

Com o plano, o governo irlandês visa economizar 15 bilhões de euros. O governo também está negociando um pacote de ajuda com a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional (FMI), que deve alcançar um valor de 85 bilhões de euros.

Saúde e educação

O governo da Irlanda informou ainda que quer proteger ao máximo os setores de saúde e educação dos cortes de gastos.O ministro das Finanças, Brian Lenihan, afirmou que os cortes de gastos vão se concentrar nas áreas responsáveis pelos maiores gastos do governo: pagamento, previdência social e bem-estar social. Lenihan disse ainda que o novo imposto sobre imóveis que o governo quer implantar vai custar à maioria dos donos de imóveis cerca de 200 euros por ano até 2014.

No total, os cortes nos gastos do governo vão arrecadar 10 bilhões de euros e os aumentos nos impostos vão adicionar mais 5 bilhões de euros. Estes 15 bilhões de euros são equivalentes a cerca de 9% da produção econômica total do país, o que é parecido, em termos de porcentagem, aos 8% de de cortes de gastos que o governo de coalizão da Grã-Bretanha anunciou recentemente.

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