Manifestantes planejam novos protestos no Irã

Por Parisa Hafezi TEERÃ (Reuters) - Manifestantes iranianos pediram mais protestos na terça-feira, um dia após militantes conservadores matarem um homem durante a marcha de dezenas de milhares de pessoas contra a eleição presidencial, que alegam ter sido fraudada.

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A capital iraniana já teve três dias dos maiores e mais violentos protestos contra o governo desde a Revolução Islâmica de 1979. Na sexta-feira, o atual presidente Mahmoud Ahmadinejad foi declarado vencedor do pleito.

"Amanhã às 17h (9h30 horário de Brasília), na praça Vali-ye Asr", cantava parte da multidão na passeata de segunda-feira, em referência ao principal cruzamento rodoviário da cidade de quase 12 milhões de habitantes.

Novos protestos --especialmente se continuarem na mesma escala-- seriam um desafio direto às autoridades, que têm controlado de perto a oposição desde a queda do xá apoiado pelos Estados Unidos há 30 anos após manifestações.

O presidente norte-americano, Barack Obama, disse nesta segunda-feira que estava "profundamente preocupado" com a violência pós-eleitoral no Irã.

"O processo democrático, a liberdade de expressão, a capacidade das pessoas de divergir pacificamente todos esses são valores universais e precisam ser respeitados", afirmou a repórteres.

Os Estados Unidos e seus aliados europeus têm tentado se aproximar do Irã e induzir o quinto maior exportador de petróleo do mundo a interromper o desenvolvimento nuclear que poderia ser usado para construir uma bomba atômica. O Irã afirma que apenas quer a energia nuclear para gerar eletricidade.

Obama falou que vai continuar perseguindo um diálogo duro e direto com Teerã, mas pediu que qualquer investigação iraniana sobre irregularidades eleitorais seja conduzida sem um derramamento de sangue. O mundo se inspirou com os manifestantes no Irã, completou.

"NÓS LUTAREMOS, NÓS MORREREMOS"

Manifestantes encheram uma larga avenida no centro de Teerã ao longo de vários quilômetros nesta segunda-feira, cantando "nós lutaremos, nós morreremos, nós não aceitaremos essa fraude eleitoral" em apoio a Mirhossein Mousavi, candidato moderado que perdeu a votação.

De acordo com sua página na Internet, Mousavi disse que estava "pronto para pagar qualquer preço" na luta contra as irregularidades eleitorais, em uma mostra da determinação para manter a pressão pelo cancelamento dos resultados eleitorais.

Algumas pessoas formaram uma cadeia humana em frente a um edifício da milícia islâmica Basji, e outros entraram. Paramiliitares voluntários então abriram fogo contra a multidão e iniciaram uma correria de milhares de pessoas.

Um homem foi morto e muitas pessoas ficaram feridas, disse um fotógrafo iraniano que testemunhou os disparos. Imagens de televisão mostravam um homem com a perna coberta de sangue sendo colocado na traseira de um táxi e levado embora.

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