Manifestantes ocupam consulado grego em Berlim contra morte de jovem

BERLIM - Pouco mais de dez manifestantes ocuparam o Consulado da Grécia em Berlim em protesto contra a morte de um jovem de 16 anos, em Atenas, devido aos disparos de um policial.

Redação com agências internacionais |

Segundo o adido de imprensa da embaixada, Pantelis Pantelouris, cerca de 15 manifestantes invadiram esta manhã o consulado, onde continuam. Os manifestantes estavam com um cartaz com a frase: "O Estado assassino".

Com esta ação, os cidadãos gregos levaram ao exterior o protesto contra o incidente ocorrido no sábado, quando um adolescente teria sido morto depois que um grupo de 30 jovens cercou um carro da polícia e apedrejou o veículo.

Um deles tentou atirar uma bomba de gasolina e um policial disparou três vezes, acertando o jovem no peito.

Por causa deste incidente, a Grécia registrou os maiores protestos sociais dos últimos 15 anos e, para os próximos dias, foram convocadas várias manifestações e greves.

Manifestantes x policiais

Neste domingo, milhares de manifestantes atacaram bancos e lojas na capital da Grécia, Atenas, e na cidade de Salônica, no norte do país, em protestos contra a morte do adolescente. Os manifestantes usaram bombas incendiárias, pedras e outros objetos para a atacar a polícia, que respondeu com gás lacrimogênio.

As ruas da capital Atenas ficaram cobertas de vidros quebrados e entulho depois de uma noite de conflitos, que começaram após a morte do adolescente, no sábado, no bairro de Exarchia.


Policiais e manifestantes se enfrentam en Atenas / AP

Em um comunicado, a polícia afirmou que os tumultos deixaram pelo menos 24 policiais feridos, sendo que um deles seriamente, e 31 lojas, nove bancos e 25 carros danificados ou queimados.

Pelo menos seis pessoas foram presas, uma delas por estar portando uma arma.

Renúncia

Horas antes dos confrontos, o ministro do Interior da Grécia, Prokopis Pavlopoulos, pediu moderação aos manifestantes e disse lamentar a morte do adolescente.

"Todos têm direito de se manifestar e lutar por seus direitos. Mas, sem destruir a propriedade alheia, sem lançar ataques contra pessoas que não têm nenhuma culpa".

Tanto Pavlopoulos como o vice-ministro do Interior, Panagiotis Chinofotis, pediram renúncia após os protestos, mas elas não foram aceitas pelo primeiro-ministro Costas Karamanlis. O premiê também pediu publicamente desculpas ao pais do adolescente morto.

"Eu sei que nada pode aliviar sua dor, mas eu garanto que o Estado vai agir para que a tragédia do último sábado não se repita", disse. Dois policiais foram suspensos e um inquérito já foi aberto.

Violência

Na semana passada ocorreram choques em Atenas entre a polícia e estudantes, quando cerca de 4 mil pessoas participaram de uma manifestação contra uma proposta de reforma na educação.

A polícia prendeu 12 pessoas depois que um grupo de manifestantes violentos se separou do protesto e quebrou fachadas de bancos e lojas.

De acordo com Malcolm Brabant o último episódio no bairro de Exarchia deve aumentar os choques entre a polícia e os grupos de esquerda do local.

Em 1985 um episódio semelhante deu origem a anos de violência no bairro.

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