Manifestantes liberam 88 aviões bloqueados em aeroportos da Tailândia

Bangcoc, 1 dez (EFE).- Os dirigentes dos protestos contra o Governo tailandês permitiram hoje que as companhias aéreas recuperassem 88 aviões bloqueados no aeroporto internacional de Bangcoc, onde a oposição continua a ocupação, apesar das advertências da Polícia.

EFE |

Os aviões liberados, entre eles 29 da Thai International Airways, 16 da Thai Airasia e 15 da Bangkok Airways, permitirão agilizar a volta para casa por rotas alternativas de 300 mil passageiros prejudicados pelo bloqueio sobre os aeroportos da capital tailandesa.

O moderno aeroporto de Suvarnabhumi e o antigo de Don Muang, a 35 e a 30 quilômetros de Bangcoc, respectivamente, continuam sob poder da antigovernamental Aliança do Povo para a Democracia, e cercados por forças policiais que, no domingo, deram o terceiro e último aviso para a desocupação.

A Aliança, que realiza manifestações nas ruas da capital tailandesa desde maio para forçar a renúncia do Governo, transferiu para os aeroportos de Suvarnabhumi e Don Muang os simpatizantes da legenda que ocupavam o palácio presidencial.

O ex-governador de Bangcoc Chamlong Srimuang, um dos membros da direção da Aliança, disse que, após as explosões do domingo que deixaram mais de 50 feridos entre os simpatizantes da legenda, não podem continuar garantindo a segurança de todos na sede governamental.

"Levarei-os para continuar o protesto em qualquer dos aeroportos (...). Se quiserem ficar aqui, poderão ficar, mas não poderei garantir sua segurança. Não quero que morram aqui", disse Srimuang, general reformado.

Nas últimas semanas, um partidário da Aliança morreu e várias dezenas ficaram feridos devido às explosões de granadas lançadas por desconhecidos contra os manifestantes na sede governamental, geralmente durante a noite.

O reforço do protesto nos dois aeroportos ocorre junto com a organização de outra manifestação na área do Consistório de Bangcoc, desta vez pela Frente Unida para a Democracia contra a Ditadura, em apoio do primeiro-ministro tailandês, Somchai Wongsawat, e seu Governo.

Estes manifestantes se distinguem do amarelo característico da Aliança, cor da Monarquia tailandesa, pelo vermelho de suas camisetas e emblemas, e escolheram o lema "Golpe de Estado, Não".

"Estamos reunidos para proteger o sistema democrático. Para dizer que não queremos um levante", disse Jatuporn Prompan, um dos líderes da frente.

O Governo teme um levante como o de 19 de setembro de 2006, que depôs o então primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, cunhado de Wongsawat.

Os militares pediram hoje ao Governo e à opositora Aliança que resolvam a crise até o aniversário do rei Bhumibol Adulyadej, no dia 5.

"O aniversário real se aproxima e todos nós deveríamos pensar na paz e em vossa majestade, o rei. O povo diz que ama o rei, e por isso deveria pensar duas vezes antes de fazer algo que o prejudique", disse o chefe da Força Aérea da Tailândia, Itthiporn Supawong.

O rei Bhumibol, considerado por muitos tailandeses uma figura semidivina, completará 81 anos na próxima sexta-feira, ocasião na qual costuma pronunciar uma mensagem aos súditos, com diretrizes, conselhos e doutrinas sob forma de parábolas, metáforas e outras figuras retóricas.

O primeiro-ministro tailandês, que se "entrincheirou" na cidade de Chiang Mai - longe dos protestos - e se nega a renunciar ou dissolver o Parlamento, como o aconselhou o Exército, disse hoje que aceitará e acatará qualquer indicação do monarca para solucionar a crise.

A palavra do rei Bhumibol, que na Tailândia é lei, pode não ser necessária, porque amanhã o Tribunal Constitucional deve ditar sentença contra a formação governante, o Partido do Poder do Povo, e o dissolver. EFE tai-grc/an

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