Haitianos saem às ruas de Porto Príncipe para protestar contra resultados das eleições presidenciais de 28 de novembro

A sede do partido governista no Haiti está em chamas depois que manifestantes atearam fogo no local em protesto aos resultados das contestadas eleições presidenciais, que também estão sendo questionados pelos EUA.

Haitiano corre em frente a pneus em chamas durante protesto em Porto Príncioe contra resultado eleitoral
Reuters
Haitiano corre em frente a pneus em chamas durante protesto em Porto Príncioe contra resultado eleitoral
Milhares saíram às ruas da capital, Porto Príncipe, depois do anúncio de que o tecnocrata Jude Celestin e a ex-primeira-dama Mirland Manigat concorrerão no segundo turno eleitoral, em 16 de janeiro, já que nenhum candidato obteve maioria no primeiro turno. Os manifestantes acusam o governo de favorecer Celestin na disputa.

Os manifestantes, alguns carregando pedaços de pau, gritavam frases de apoio a Michel Martelly, um músico popular e candidato à presidência que não conseguiu passar para o segundo turno das eleições realizadas no dia 28 de novembro.

Segundo as autoridades eleitorais, Manigat teve 31,37% dos votos e Celestine, 22,48%. Martelly teve menos de 1 ponto porcentual de diferença em relação ao segundo colocado.

Logo após a divulgação dos resultados, na noite de terça-feira, manifestações de protesto e tiros esporádicos começaram em Porto Príncipe.

Os partidários de Martelly, que terminou em terceiro, ergueram barricadas com pneus em chamas no distrito de Petionville e num acampamento lotado de sobreviventes do terremoto de 12 de janeiro, perto do palácio presidencial.

A Embaixada dos Estados Unidos no Haiti divulgou um comunicado em que levanta dúvidas sobre os resultados, sugerindo que eles podem não ser consistentes com "o desejo do povo haitiano".

Policiais fortemente armados patrulhavam as ruas da capital e, apontando armas, forçaram alguns dos manifestantes a desmontar as barricadas. As eleições presidenciais e parlamentares foram realizadas em meio a protestos contra irregularidades na organização e fraude.

Os distúrbios levaram ao fechamento de todos os aeroportos do país. A American Airlines e a Air Transat já haviam anunciado a suspensão temporária de seus voos chegando e saindo do Haiti. "Anulamos nossos voos de hoje (quarta-feira) e de amanhã porque os funcionários da companhia e do aeroporto não puderam chegar ao trabalho" em Porto Príncipe, disse Martha Pantin, porta-voz da companhia americana American Airlines em Miami. Já a companhia canadense Air Transat, que tem um voo semanal para o país caribenho, suspendeu "por razões de segurança" o voo previsto para sair de Montreal nesta quarta-feira, assim como o que regressaria de Porto Príncipe ao meio-dia.

Partidários de Michel Martelly, que ficou fora do segundo turno, fazem protesto em Porto Príncipe, no Haiti
AP
Partidários de Michel Martelly, que ficou fora do segundo turno, fazem protesto em Porto Príncipe, no Haiti
*Com BBC e Reuters

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