Manifestantes haitianos aceitam empregos e param protestos

Por Joseph Guyler Delva e Tom Brown LES CAYES, Haiti (Reuters) - Os manifestantes que provocaram os violentos protestos de abril contra o preço dos alimentos no Haiti aceitaram empregos patrocinados pelos Estados Unidos e por isso não vão cumprir a ameaça de reiniciar os distúrbios.

Reuters |

Cinco pessoas morreram em confrontos contra as tropas da ONU no mês passado em Les Cayes, no sul do Haiti. Os manifestantes prometiam voltar às ruas até segunda-feira caso o Parlamento não aprovasse um novo primeiro-ministro.

Mas na terça-feira, eles usaram pás e rastelos para limpar as ruas e valas de uma favela da cidade, cumprindo uma trégua -- frágil, segundo eles.

'Queremos casas, restaurantes e lojas comunitárias, subsidiadas pelo governo, escolas profissionalizantes e centros de saúde', disse um dos rapazes, um dos cerca de 20 que se apresentou como Charles. 'A situação não mudou ainda.'

Ele disse que os empregos bancados pela Agência de Desenvolvimento Internacional dos EUA e oferecidos pela prefeitura ficaram aquém das expectativas e só vão estimular a paz no curto prazo.

Cerca de 40 manifestantes foram contratados como garis, com salários de aproximadamente 4 dólares por dia -- o dobro da média haitiana.

'Eles tentam nos comprar quando distribuem comida e criam novos empregos, mas isso ainda não vai resolver nossos problemas. Vamos ocupar as ruas de novo enquanto nossas exigências não forem atendidas', disse Charlemagne Bien-Aime.

Os líderes dos protestos, que se reúnem regularmente num arborizado cemitério da favela de La Savane, disse em 5 de maio que o Parlamento e o presidente René Préval teriam uma semana para dar posse a um novo primeiro-ministro, que atendesse às exigências da população, especialmente o controle dos preços alimentícios, que mais do que dobraram nos últimos meses.

Mas na segunda-feira a Câmara dos Deputados rejeitou uma indicação feita por Préval, o que pode levar o país a um novo episódio de instabilidade.

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