Manifestantes exigem saída imediata de Mubarak

Milhares continuam na praça Tahrir, no centro do Cairo, mesmo após líder anunciar que desistirá de reeleição

iG São Paulo |

Os milhares de manifestantes reunidos no centro do Cairo desde a manhã desta terça-feira exigiram a renúncia imediata do presidente do Egito, Hosni Mubarak, após o anúncio de que o líder não tentará a reeleição e deixará o cargo em setembro.

A multidão assistiu o discurso de Mubarak em um telão na praça Tahrir (ou praça da Libertação), epicentro dos protestos que começaram no dia 25 de janeiro. Muitos vaiaram o presidente e gritaram frases como: "não vamos embora até que ele vá embora".

AP
Manifestantes se reúnem no Cairo para pedir renúncia do presidente Hosni Mubarak

No pronunciamento, exibido pela TV estatal, Mubarak afirmou que vai "garantir" uma transição pacífica. "O Egito vai sair mais forte, mais confiante, mais unido e estável dessas circunstâncias difíceis. Vou morrer nesse país e a história vai me julgar", disse o líder egípcio.

O pronunciamento foi feito após informações de que o presidente dos EUA, Barack Obama, disse a Mubarak que ele não deveria concorrer ao quinto mandato, efetivamente retirando o apoio dos EUA a seu principal aliado árabe, de acordo com diplomatas americanos no Cairo e Washington.

Citando uma autoridade americana não identificada, a Associated Press indicou que o recado de Obama a Mubarak foi dado pelo enviado dos EUA ao Cairo, o ex-embaixador no país Frank Wisner, que disse ao líder egípcio que Washington via sua presidência no fim, conclamando-o a preparar uma transição ordenada para uma real democracia com eleições.

A declaração de Mubarak também foi feita um dia depois de o Exército egípcio prometer que não usaria a força contra os manifestantes, reconhecendo "a legitimidade das demandas da população" e prometendo garantir "liberdade de expressão".

Megaprotesto

As manifestações desta terça-feira foram as maiores desde o início da onda de protestos. Segundo fontes de segurança do Egito, pelo menos 500 mil manifestantes se concentraram na praça central Tahrir, no Cairo. Em Alexandria, a segunda maior cidade do país, de 400 mil a 500 mil foram para as ruas. Em outras cidades, ao menos 110 mil pessoas, segundo os serviços de segurança.

A praça de Tahrir ficou cheia de barracas onde muitos manifestantes passaram a noite de segunda para terça-feira, desafiando o toque de recolher vigente desde sexta-feira e ampliado no sábado.

Paralelamente às manifestações, um comitê das forças de oposição egípcias, que inclui o Prêmio Nobel da Paz de 2005 Mohamed ElBaradei, rejeitou o início de qualquer negociação com o regime enquanto Mubarak continuar no poder. Segundo informações obtidas pela ONU, a repressão aos protestos, iniciados na terça-feira do dia 25, podem ter deixado 300 mortos, mais do que o dobro do balanço anunciado oficialmente até agora, de 125.

Além das manifestações, os opositores pressionaram o governo com uma greve geral iniciada na segunda-feira, em um país que já está praticamente paralisado: a Bolsa e os bancos estão fechados, postos de gasolina estão sem combustível e os caixas eletrônicos estão vazios. Além disso, trens deixaram de funcionar e o último provedor de internet em funcionamento, o Grupo Noor, teve seus serviços interrompidos.

Para evitar o fim do regime, Mubarak fez vários acenos infrutíferos na segunda-feira. Após a declaração do Exército sobre "a legitimidade das demandas da população", propôs pela primeira vez dialogar com os manifestantes, oferta rejeitada pela oposição.

Ainda na segunda-feira, deu posse ao novo governo, substituindo um gabinete que havia sido dissolvido como concessão aos protestos antigoverno. O anúncio foi feito após os sindicatos egípcios convocarem a greve geral no Cairo, Alexandria, Suez e Port Said.

A Irmandade Muçulmana, o grupo de oposição mais influente do Egito, rejeitou o novo governo e pediu que prossiguissem as manifestações para a queda do regime. "A Irmandade Muçulmana anuncia sua total recusa à composição do novo governo, que não respeita a vontade do povo", disse o grupo em um comunicado.

Com AP, BBC, Reuters, EFE e AFP

    Leia tudo sobre: hosni mubarakeuaegitoprotestoselbaradei

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG