Manifestantes entram em choque com a polícia na China

Chineses da etnia han voltaram a protestar em Urumqi, capital da província de Xinjiang, na China, pelo terceiro dia consecutivo e quase dois meses depois de uma onda de violência étnica na cidade.

BBC Brasil |

Nesta sexta-feira, uma multidão de manifestantes entrou em confronto com centenas de policiais da tropa da choque, em meio a uma crescente onda de ataques com seringas de injeção na cidade.


Exército chinês monta bloqueios em ruas para evitar protestos / AP

Várias pessoas foram presas em virtude dos ataques - que tem provocado os protestos de membros da comunidade han, que afirmam serem as vítimas.

Os manifestantes também exigem que seja acelerado o julgamento dos acusados pelos violentos choques étnicos em julho - que causaram a morte de 197 pessoas, quase todos da etnia han, e deixaram cerca de 1,7 mil feridos.

As autoridades chinesas responsabilizam chineses da etnia uigur pela violência, afirmando que os confrontos haviam sido orquestrados por separatistas no exílio.

Os chineses da etnia uigur - na sua maioria muçulmanos - correspondem a cerca de 45% da população da província enquanto que os da etnia han - o grupo étnico majoritário da China - equivalem a cerca de 40%.

Seringas

Segundo o correspondente da BBC em Urumqi, Michael Bristow, a situação está tensa. A segurança foi reforçada durante a noite e a polícia está montando guarda na Praça do Povo, no centro da cidade, que na quinta-feira foi palco de um grande protesto.

Uma testemunha disse à BBC que cerca de 2 mil chineses da etnia han participaram dos protestos nos últimos dois dias. Aparentemente, a onda de ataques com seringas teria causado os protestos.

Segundo a mídia chinesa, cerca de 500 pessoas - quase todas da etnia han - foram tratadas por ferimentos nas últimas semanas. As informações são de que 89 pessoas tinham "claras marcas de seringas", mas ninguém havia sido infectado ou envenenado.

Um morador da cidade de etnia han disse à BBC que estava preocupado com sua segurança.

"O governo local não está fazendo o suficiente para proteger os chineses han lá... estou realmente (preocupado) com minha família e meus parentes lá. O governo chinês deveria fazer mais para evitar isso."

Os moradores de etnia han também se queixam da demora do governo local em processar os responsáveis pela violência de julho.

Alguns manifestantes acusam o governo regional de ser "inútil", pedindo a demissão do chefe do Partido Comunista regional, Wang Lequan, que seria um aliado do presidente Hu Jintao.

Tensão étnica

A tensão entre as comunidades han e uigur vem crescendo há muitos anos, mas os choques de julho passado foram os piores da China em décadas.

A violência começou no dia 5 de julho quando um protesto inicialmente pacífico de jovens uigures - aparentemente provocado por um outro confronto em uma fábrica no sul da China - fugiu do controle, com lojas e carros incendiados e transeuntes sendo atacados.

Cerca de 80 pessoas foram acusadas pela violência, mas a data para o julgamento ainda não foi marcada.

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