Manifestantes entram em choque com a polícia em Honduras

Choques entre manifestantes e a polícia deixaram vários feridos na cidade de San Pedro Sula, no norte de Honduras, neste domingo quando o país vota em suas eleições gerais. Três rádios hondurenhas - Globo, Cadena Voces e Uno - afirmam que cerca de mil manifestantes estavam reunidos no centro da cidade para protestar contra as eleições quando a polícia interviu.

BBC Brasil |

Não está claro ainda o número de feridos e a gravidade de suas lesões.

No resto do país, a votação vem transcorrendo com relativa tranquilidade, com movimento em quase todas as sessões eleitorais visitadas pela BBC Brasil na capital, Tegucigalpa.

O clima pelas ruas de Tegucigalpa é de aparente tranquilidade, com movimento em quase todas as sessões eleitorais visitadas pela BBC Brasil.

Os eleitores começaram a votar às 7 horas deste domingo (11h de Brasília) e devem terminar até as 17h, em uma das nas eleições mais polêmicas e observadas de sua história.

Estão em jogo os cargos de presidente, 128 assentos no legislativo e 298 de representantes locais.

Os mais cotados para assumir em janeiro o próximo mandato presidencial de quatro anos são o conservador Porfírio 'Pepe' Lobo, do Partido Nacional, e Elvin Santos, do Partido Liberal, o mesmo do presidente deposto Manuel Zelaya e do interino, atualmente afastado, Roberto Micheletti.

Fontes da comissão eleitoral dizem acreditar ser possível ter uma boa ideia de quem será o presidente eleito já na noite de domingo, mas as incertezas relativas à crise política hondurenha podem durar mais.

Comparecimento e legitimidade
A comunidade internacional está dividida sobre o reconhecimento das eleições. Brasil, Argentina, Venezuela e Nicarágua estão entre os países que afirmam que o pleito é ilegítimo.

Outros, a começar pelos Estados Unidos, condenaram a deposição do presidente eleito Manuel Zelaya, mas dizem acreditar que o pleito é a melhor forma de sanar a crise política hondurenha. Muitos países disseram que vão esperar o desenrolar das eleições para se pronunciar.

No sábado, Micheletti foi além dos frequentes apelos para que a população vote, mas também pediu para que o povo continue apoiando quem for eleito "porque vão existir influências enormes boicotando o novo mandato".

Oposição e governo parecem concordar que o índice de comparecimento eleitoral pode ser usados nos próximos dias como arma política contra ou a favor da legitimação do pleito.

Neste contexto, os cerca de um milhão de hondurenhos aptos a votar que vivem nos Estados Unidos podem se transformar em outro ponto de discórdia. Os que defendem as eleições dizem que a participação dos eleitores no exterior, que tradicionalmente não costumam votar, deve ser excluída dos cálculos finais.

O comparecimento de 56% nas últimas eleições, de 2006, levou em conta estes eleitores.

Zelaya
Falando da embaixada brasileira em Tegucigalpa, onde está refugiado desde 21 de setembro, o presidente deposto, Manuel Zelaya, pediu pela anulação das eleições.

"Os Estados Unidos devem se dar conta de que o processo deve ser anulado. Os centroamericanos não querem mais as guerras da década de 1980 ou eleições como as que ocorreram no Iraque ou Afeganistão.

"Se (os americanos) são democratas em seu país, que sejam também na América Latina", disse.

Zelaya afirmou ainda que não aceitaria voltar ao poder se o Congresso votar por sua restituição na quarta-feira.

"Não ceito a restituição, seria aceitar o golpe de Estado e a farsa eleitoral, seria perder minha dignidade e honra que é o que me resta nesta vida".

Observadores
Nenhuma grande instituição como a ONU, OEA (Organização dos Estados Americanos) ou a União Europeia enviou observadores para monitorar a lisura do pleito. Estão presentes no país, segundo o TSE hondurenho, 445 observadores de 31 países.

Críticos dizem que estes observadores seriam ou afinados ideologicamente com o governo ou estariam pouco familiarizados com a função de monitorar eleições e com o sistema, parcialmente digitalizado, de votação hondurenho.

A crise política em Honduras teve início em 28 de junho, quando o presidente eleito do país, Manuel Zelaya, foi destituído do cargo pelas Forças Armadas, acusado de violar a Constituição do país, e em seu lugar assumiu um governo interino, liderado pelo antigo presidente do Congresso, Roberto Micheletti.

A deposição foi condenada por diversos países, entre eles o Brasil e os Estados Unidos, além de organizações como a OEA e a União Europeia.

Zelaya voltou clandestinamente a Honduras e se abrigou na embaixada do Brasil, onde está desde o mês de setembro.

Na próxima quarta-feira, como parte de um acordo intermediado pelos Estados Unidos, o Congresso deve votar se Zelaya voltará a ocupar a Presidência até o final de seu mandato, em 27 de janeiro.

Micheletti afastou-se do cargo provisoriamente, podendo voltar ao poder dependendo da decisão do Congresso no dia 2.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG