Manifestantes e forças de segurança têm 4º dia de choques no Egito

Na TV, integrante da junta critica 'plano' para derrubar governo e mostra imagens de agressões a policiais e militares

iG São Paulo |

As forças de segurança do Egito entraram em confronto com manifestantes no Cairo nesta segunda-feira, o quarto dia consecutivo de violência na cidade. Os confrontos deixaram pelo menos dois mortos, elevando para 13 o número total de vítimas.

AP
Manifestantes carregam corpo de egípcio morto durante confronto com forças de segurança na praça Tahrir, no Cairo

A violência começou na sexta-feira, quando soldados tentaram pôr fim a um acampamento do lado de fora da sede do governo. Durante a noite deste domingo, policiais e soldados usando cassetetes e gás lacrimogêneo expulsaram manifestantes que atiravam pedras da praça Tahrir, epicentro dos protestos que em fevereiro derrubaram o governo de Hosni Mubarak .

Pela manhã, as forças de segurança recuaram para ruas que dão acesso ao Parlamento, à sede do gabinete e ao Ministério do Interior. Aproveitando-se disso, centenas de pessoas voltaram à praça e os confrontos recomeçaram.

Em meio aos protestos, o major Adel Emara, integrante da junta militar que governa o Egito desde a queda de Mubarak, fez um pronunciamento na TV no qual acusou manifestantes de terem um “plano”.

“Há um plano metódico e premeditado para derrubar o Estado, mas o Egito não fracassará”, afirmou. “A imprensa está ajudando a sabotar o Estado.”

Durante seu discurso, o porta-voz mostrou vídeos de agressões a soldados e ataques de manifestantes, além de testemunhos de vários detidos, entre eles menores, que disseram ter ter recebido dinheiro para atingir as forças de segurança.

De acordo com Emara, os responsáveis pelos incidentes usaram "meninos de rua, viciados em drogas e desaparecidos" no confronto com o Exército. "Em nenhum momento as forças de segurança receberam ordens para dispersar as manifestações", afirmou o representante do governo. Segundo ele, essas forças reagiram em defesa própria e das instituições do Estado.

A alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay, advertiu nesta segunda-feira aos membros da junta militar do Egito que correm o risco de ser processados por cumplicidade em crimes graves se não agirem imediatamente contra a "brutal" repressão no centro do Cairo.

"As autoridades egípcias devem demonstrar um compromisso real com os direitos humanos, incluindo a plena erradicação dos maus-tratos, uma reforma integral das forças de segurança, a suspensão do estado de emergência e o respeito ao império da lei e das liberdades fundamentais", manifestou Pillay.

A reação da junta militar ocorre no mesmo dia da construção de um novo muro na rua Sheikh Rihan com o objetivo de impedir a expansão dos distúrbios, um dia depois da construção de outro muro na rua Qasr al Aini, onde aconteceram os incidentes.

Nessas duas ruas, próximas à praça Tahrir, estão localizados vários prédios governamentais, como as sedes do Conselho de Ministros e das duas câmaras do Parlamento egípcio, além do Ministério do Interior e de Saúde, entre outros.

Com AP, AFP e EFE

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