Manifestantes destroem parte do muro da Embaixada de Israel no Cairo

Ativistas egípcios partiram da praça Tahrir, onde acontecem levantes que exigem um claro planejamento para a democracia

iG São Paulo |

Manifestantes derrubaram nesta sexta-feira parte de um muro de proteção construído recentemente pelas autoridades egípcias em frente à Embaixada de Israel no Cairo .

Os ativistas se reuniram em frente ao prédio que abriga a missão diplomática e destruíram as paredes usando martelos e tubos metálicos. A polícia militar não agiu ante à manifestação.

O muro, com uma altura aproximada de 2,5 metros, foi construído ao longo de uma avenida que contorna o prédio da embaixada e seus escritórios, depois de uma série de protestos por causa de atritos entre os dois países, culminando com o incidente, em agosto, no qual um manifestante escalou o edifício e retirou a bandeira israelense.

As relações entre Egito e Israel se deterioraram desde que o presidente Hosni Mubarak, aliado dos EUA, foi deposto por uma rebelião popular egípcia , em fevereiro.

No mês passado, cinco agentes das forças egípcias de segurança foram mortos numa ação militar de Israel , cujos soldados entraram no território egípcio para perseguir militantes, supostamente palestinos, que se infiltraram em Israel a partir da Península do Sinai, Egito, cometendo um ataque que matou oito israelenses .

Gritando slogans como "erga a cabeça, você é um egípcio", cerca de mil marcharam para a embaixada a partir da praça Tahrir, na capital do Egito, onde milhares protestaram, exigindo um claro cronograma para a democracia e o fim dos julgamentos para civis.

Protestos na praça Tahrir

Os líderes do levante que derrubou Mubarak qualificaram como "correção de rumos" os recentes protestos - os primeiros desde que a polícia expulsou os ativistas acampados na Praça Tahrir, em julho.

Os manifestantes estão pressionando o conselho militar no governo para acelerar as reformas e estabelecer uma data para as eleições.

AFP
Milhares de egípcios se reuniram na praça Tahrir, no Egito, para exigir reformas democráticas no país
Islamistas, incluindo o partido político criado pela Irmandade Muçulmana, - a força política melhor organizada do Egito depois da dissolução do Partido Nacional Democrático, de Mubarak, - se distanciaram dos protestos.

Os governantes militares prometeram passar o poder para um governo civil depois das eleições, que, segundo eles, serão realizadas no final de 2011. O conselho também facilitou o julgamento de Mubarak e de vários de seus assessores, incluindo o ex-ministro do Interior Habib al-Adli, por acusações de corrupção ou de conspiração para matar cerca de 850 manifestantes.

Apesar das promessas, muitos egípcios continuam céticos. "Desde 25 de janeiro até hoje não sentimos que houve mudanças", disse Kamel Ebrahim, um funcionário público de 37 anos que participou dos protestos com outros milhares de egípcios na Praça Tahrir, o epicentro do levante que derrubou Mubarak.

"Bandidos e ladrões se multiplicaram e o marechal-do-campo não fez nada para melhorar as coisas", acrescentou, referindo-se a Mohamed Hussein Tantawi, líder do conselho militar atualmente no poder.

Ativistas disseram que mais de 30 grupos e partidos políticos chegaram a um acordo sobre oito exigências, as mais importantes sendo um cronograma para a transição para um governo civil e o fim dos julgamentos de civis perante tribunais militares.

Houve protestos também em Alexandria e Suez.

* Com AP, AFP e Reuters

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