Manifestantes desafiam proibição e realizam protesto em Teerã

Manifestantes iranianos gritaram slogan de apoio ao principal rival do presidente Mahmoud Ahmadinejad durante um comício em Teerã patrocinado pelo governo, desafiando uma proibição imposta pelas forças de segurança do país. Segundo testemunhas, os manifestantes teriam gritado palavras de apoio a Mir Hossein Mousavi, o candidato derrotado por Ahmadinejad nas eleições presidenciais de junho passado, durante a realização de um tradicional evento de apoio aos palestinos.

BBC Brasil |

A polícia tinha sido mobilizada na cidade por causa do evento, o comício do Quds (Dia de Jerusalém), e advertiu contra protestos em oposição ao governo.

Os comícios do Quds são realizados em todo o país anualmente, na última sexta-feira do mês sagrado do Ramadã.

Milhares de pessoas estão participando dos eventos, inclusive manifestantes pró-governo.

Apesar de os comícios serem apoiados pelo Estado, os líderes da oposição que ainda contestam os resultados das eleições presidenciais pediram aos seus partidários que comparecessem.

A Guarda Revolucionária do Irã afirmou que agiria de "maneira decisiva" contra qualquer tentativa de protestos contra o governo.

Os manifestantes pró-Mousavi vestiam verde - a cor de sua campanha eleitoral - e gritavam palavras de ordem. A expectativa era de que Mousavi comparecesse ao comício.

'Prisões'
O dia começou pacificamente, com milhares de partidários de Ahmadinejad marchando nas ruas centrais de Teerã, sob a presença de policiais e forças de segurança.

Segundo a agência de notícias Reuters, houve confrontos entre a polícia e manifestantes ao longo do dia e alguns manifestantes foram presos.

Ahmadinejad fez um discurso na Universidade de Teerã no qual criticou a criação de Israel e reiterou suas alegações de que o Holocausto seria um "mito".

Pela primeira vez nos últimos 30 anos, o sermão do Dia de Jerusalém não foi feito pelo ex-presidente Hashemi Rafsanjani.

Rafsanjani costuma ser visto como um dos pilares do sistema de poder islâmico, afirma o ex-correspondente da BBC em Teerã, Jim Muir, mas ele, discretamente, simpatiza com a oposição.

Este ano, ele foi afastado dos comícios e substituído por um pregador de linha dura.

Depois das eleições presidenciais, a polícia reprimiu violentamente os protestos da oposição, causando mortes e prendendo centenas de pessoas.

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