Manifestantes desafiam estado de exceção na Tailândia sem apoio de grevistas

Gaspar Ruiz-Canela Bangcoc, 3 set (EFE).- Os manifestantes continuaram hoje entrincheirados na sede do Governo da Tailândia apesar do estado de exceção decretado pelo primeiro-ministro Samak Sundaravej em Bangcoc, onde, da mesma forma que no resto do país, a greve convocada nas empresas públicas foi um fracasso.

EFE |

Cercados por milhares de policiais prontos para evitar novos enfrentamentos, os partidários da Aliança do Povo para a Democracia condicionaram a saída do prédio do Governo à renúncia de Sundaravej e de seu Gabinete, objetivo do protesto que iniciaram há 102 dias.

"Nossa postura é firme: Sundaravej deve renunciar. Caso não saia não falaremos com ninguém", declarou Sondhi Limthongkul, fundador da Aliança do Povo para a Democracia, organização civil que no dia 26 de agosto invadiu o palácio do Governo na parte antiga da capital tailandesa.

Sundaravej, que até agora não deu nenhum sinal de que esteja pensando em renunciar ou dissolver o Parlamento, decretou ontem o estado de exceção e ordenou que o Exército restabelecesse a ordem após uma pessoa morrer e outras 44 ficarem feridas em confrontos entre partidários de grupos políticos opostos.

O estado de exceção, que não inclui toque de recolher, permite ao Exército o emprego da força, dá poder aos militares de censurarem os meios de comunicação que "causem pânico" ou ponham em risco a segurança do Estado e proíbe as reuniões públicas de mais de cinco pessoas.

Sundaravej disse estar confiante de que o Exército encontrará um meio para dispersar os manifestantes, mas não descartou, em declarações à imprensa, que os militares estejam pensando em aproveitar a situação para dar um novo golpe de Estado, apesar de a ação ter sido rejeitada antes pelo chefe do Exército, general Anupong Paojinda.

"Tudo é possível", respondeu o primeiro-ministro ao ser perguntado pela imprensa sobre um eventual golpe de Estado.

Horas após a entrada em vigor do estado de exceção, o general Paojinda disse que a crise política será resolvida "por meios legais e democráticos" e prometeu moderação caso as tropas tenham que dispersar os manifestantes.

Os milhares de partidários da Aliança do Povo para a Democracia que há nove dias exigem a renúncia de Sundaravej entrincheirados atrás de barricadas estão acampados no palácio do Governo e em seus limites, bem próximo de uma das regiões turísticas de Bangcoc.

Desde 1932, quando caiu a monarquia absolutista na Tailândia, aconteceram 18 golpes de Estado no país, o último há quase dois anos e perpetrado contra o ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, agora fugitivo da Justiça tailandesa e exilado no Reino Unido.

Apesar da crise política, a Bolsa de Valores de Bangcoc tem registrado leves quedas desde segunda, enquanto o Banco (central) da Tailândia afirma que a situação atual causará apenas um pequeno impacto negativo.

"Os problemas políticos atingem só a curto prazo os gastos internos e a confiança, pois os alicerces da economia da Tailândia são suficientemente sólidos", declarou em entrevista coletiva a governadora do Banco da Tailândia, Tarisa Watanagase.

Também não causou efeito em Bangcoc nem no resto do país a greve de 24 horas convocada pela Confederação de Trabalhadores de Empresas Públicas, com 200 mil filiados e que ameaçou paralisar o transporte público e os serviços postais e de fornecimento de energia elétrica e água, em apoio aos manifestantes.

Os serviços públicos funcionaram normalmente após poucos funcionários se unirem à paralisação convocada na Tailândia pelo maior sindicato de empresas estatais em solidariedade aos manifestantes que ocupam a sede do Governo.

"Tudo está funcionando normalmente", declarou o Ministério do Interior em comunicado.

Os protestos começaram em maio, quando os partidários da Aliança do Povo para a Democracia acamparam em frente ao prédio da ONU para denunciarem o Governo, que acusam de corrupção, deslealdade à Coroa e de estar a serviço de Shinawatra.

Apoiada pela elite conservadora e por setores do Exército, a Aliança do Povo para a Democracia, que faz propaganda nacionalista e de lealdade à Coroa para conquistar a simpatia da população, pretende fazer com que o rei Bhumibol Adulyadej designe um Governo de transição. EFE grc/wr/fal

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