Manifestantes bolivianos interditam fronteira com Mato Grosso do Sul

Manifestantes bolivianos do Comitê Cívico da cidade de Arroyo Concepción, na Bolívia, bloqueiam a fronteira com a cidade de Corumbá, no Brasil desde a madrugada desta sexta-feira.

Redação com agências |


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O bloqueio promovido por setores da oposição boliviana na estrada que liga Puerto Suarez, na Bolívia, a Corumbá, no Pantanal de Mato Grosso do Sul, vai durar 72 horas, conforme informações de membros do Comitê Cívico da cidade de Arroyo Concepción (Bolívia).

O trecho na fronteira amanheceu hoje bloqueado por montes de terra despejada durante a madrugada na linha divisória. Segundo o presidente do comitê, Carlos Vargas, "os manifestantes estão preparados para qualquer reação do Exército boliviano".

Durante a manhã, 160 membros da Polícia Nacional e do Exército deixaram a região de fronteira, visando evitar confronto com os manifestantes, que estão na divisa portando paus e pedras e ostentando faixas de protesto contra o governo de Evo Morales.

Vargas explicou que dependendo da reação do governo a situação poderá ficar mais complicada. Ele alega que os 7 mil moradores de Concepción estão unidos nas manifestações, protestando contra a morte de oito bolivianos ocorridas ontem durante conflito com grupo que apóia Evo Morales.

"Podemos radicalizar ainda mais, declarando Concepción independente e impondo nossas próprias leis", disse. Em Puerto Quijarro, vizinho de Concepción, a situação não é diferente desde as primeiras horas de hoje.

Segundo informações do posto de fiscalização do Brasil, o tráfego está interrompido na fronteira Corumbá-Bolívia, com filas quilométricas de caminhões carregados, sem previsão de seguir viagem.


Grupos de oposição protestam na Bolívia / AP

Busca do diálogo

O presidente da Bolívia, Evo Morales, descartou nesta sexta-feira a possibilidade de convocar as Forças Armadas para apaziguar os ânimos no país e pediu aos governadores da oposição uma mesa de diálogo para solucionar a crise política .

O presidente disse que "continuará apostando no diálogo, na dignidade e na unidade do país, apesar da provocação dos governadores e líderes da sociedade civil de cinco dos nove departamentos", onde os protestos contra seu governo continuam, e convidou os opositores a dialogar hoje mesmo em La Paz para encontrar uma solução para as três semanas de conflito nas regiões autonomistas.  

O governo da oposição de Tarija, Mario Cossío, aceitou nesta sexta-feira se reunir nas próximas horas com o presidente Evo Morales para tentar sentar as bases de um diálogo, para conter a violência política que deixou oito mortos e 100 feridos nos últimos dias.

Cossío disse que esta é "a última oportunidade para que o país se encaminhe para um processo de reconciliação e deixe para trás o risco iminente de confrontação e da destruição interna que acabaria matando a democracia e rompendo a unidade nacional".

O governador de Tarija declarou que a decisão de participar da reunião com Morales é compartilhada por seus outros colegas de Santa Cruz, Beni, Pando e Chuquisaca, onde os manifestantes bloqueiam ruas e saqueiam prédios públicos.

Oito mortos e temor de guerra civil

A morte de oito pessoas em confrontos no departamento (Estado) de Pando, na quinta-feira, despertaram em diferentes setores o temor de que ocorra uma guerra civil na Bolívia.

"Se nada mudar, estamos caminhando para uma guerra civil de baixa intensidade, mas guerra civil. Civis brigando contra civis e sem a intervenção das forças de segurança", disse à BBC Brasil o analista Gonzalo Chávez, diretor de mestrado para o desenvolvimento da Universidade Católica Boliviana.

"É uma situação limite. As disputas eram com paus e pedras, mas agora tem gente armada." As mortes em Pando teriam sido provocadas por tiros, segundo o prefeito (governador) Leopoldo Fernández.


Apoiador de Morales patrulha ruas em Santa Cruz / AP

Entenda o motivo do conflito

Os departamentos (Estados) bolivianos de Tarija, Santa Cruz, Beni, Pando e Chuquisaca (que juntos foram a região conhecida como "Meia Lua") pleiteiam maior autonomia e têm sido palco há meses de protestos contra Morales .

Os departamentos rejeitam a nova Constituição, defendida pelo presidente Evo Morales, e exigem que o governo devolva às províncias cerca de US$ 166 milhões em royalties do petróleo e gás relocados para a previdência social.

Eles ficam no leste da Bolívia e são os departamentos mais ricos do país, graças principalmente à produção de gás e soja. O departamento de Tarija, por exemplo, possui mais de 80% das reservas de gás bolivianas.

O oeste da Bolívia, onde vive a maior parte da população indígena, é a região em que o presidente conta com mais apoio.


Mapa político da Bolívia

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* Com informações da Agência Estado

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