Manifestantes ameaçam promover revolta na Tailândia

Gaspar Ruiz-Canela. Bangcoc, 28 nov (EFE).- Os manifestantes que ocupam os dois aeroportos da capital tailandesa Bangcoc ameaçaram hoje promover uma revolta popular se as forças de segurança tentarem despejá-los por ordem do Governo.

EFE |

Um dos líderes da antigovernamental Aliança do Povo para a Democracia, Chamlong Srimuang, advertiu que as pessoas lutarão contra o Executivo e que "ninguém poderá controlar as massas enfurecidas", caso se produza uma ação de força por parte da Polícia ou dos soldados, ou se os líderes dos protestos forem detidos.

Srimuang fez essa advertência um dia depois que o primeiro-ministro, Somchai Wongsawat, declarou estado de exceção nos aeroportos de Suvarnabhumi e Don Muang, e ordenou que a Polícia despejasse os manifestantes com o apoio de soldados da Força Aérea e da Marinha.

No início da manhã, a Polícia começou a negociar com os líderes da oposição, em uma tentativa de evitar o uso da força para despejar os manifestantes dos dois aeroportos que eles ocupam há dois dias.

"Estamos lhes pedindo que permitam ao aeroporto retomar suas operações. Continuamos falando, mas se isto falhar, tomaremos outras medidas. A última será dispersá-los", declarou à imprensa o chefe negociador da Polícia, Suchart Muenkaew.

No entanto, as advertências da Polícia parecem não intimidar os manifestantes, que segundo Suriyasai Katasila, um dos principais líderes do movimento, "lutarão até a morte" antes de abandonar os terminais dos dois aeroportos.

Os partidários da Aliança do Povo para a Democracia tomaram o controle das vias de acesso aos aeroportos ocupados, nas quais jovens mascarados e vestidos de preto, armados com cassetetes e tacos de golfe, param todos os veículos para impedir a entrada de soldados das forças de segurança.

Enquanto as conversas prosseguiam, uma centena de agentes da brigada antidistúrbios se posicionaram próximo ao hotel Novotel, situado cerca de 300 metros do terminal de Suvarnabhumi, onde milhares de seguidores da Aliança do Povo para a Democracia pareciam realizar uma festa.

"Vamos lutar, aqui não há medo" disse à Agência Efe Mookdawan Wathony, um estudante de 20 anos, no meio da desordem em que se encontra o moderno aeroporto da capital.

O envio de agentes às proximidades do aeroporto de Suvarnabhumi ocorreu poucas horas antes de o Governo destituir o diretor da Polícia nacional, general Phatcharawat Wongsuwan.

Enquanto isso, o primeiro-ministro instalava de forma indefinida seu centro de Governo na cidade de Chiang Mai, no norte do país, em resposta ao assédio dos manifestantes e às divergências com o Exército.

Wongsawat, que assumiu o cargo no início de setembro, mas não pôde se instalar no palácio do Governo de Bangcoc, ocupado pelos manifestantes, se viu forçado a viajar na quarta-feira a Chiang Mai, depois que os dois aeroportos da capital ficaram sob o controle da Aliança do Povo para a Democracia.

"O primeiro-ministro não tem planos de retornar a Bangcoc no curto prazo devido à incerteza sobre os movimentos dos militares", disse em entrevista coletiva o vice-porta-voz do Governo Suparat Nakboonnan.

Em Chiang Mai, para onde alguns membros do Gabinete também se transferiram, Wongsawat conversa por telefone e videoconferência com seus colaboradores e destacados funcionários da Administração, que continuam na capital tailandesa.

"Todos os movimentos do primeiro-ministro são mantidos em segredo por motivos de segurança", disse o vice-porta-voz governamental.

Chiang Mai, cerca de 600 quilômetros da capital, é um forte reduto do Partido do Poder do Povo (PPP), liderado por Wongsawat, e a cidade da qual é originário seu cunhado, o ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, deposto há dois anos por um golpe de Estado.

Na quinta-feira, Wongsawat excluiu o Exército da operação de despejo ordenada sob o estado de exceção, após o chefe do Exército, general Anupong Paochinda, se opor à medida.

A mudança do centro de Governo a Chiang Mai ocorreu em meio a intensos rumores de um golpe de Estado, e depois que o general Paochinda pediu ao primeiro-ministro que dissolvesse o Parlamento e convocasse eleições como solução para a profunda crise política na qual a Tailândia está imersa.

O Gabinete de Wongsawat não possui uma sede fixa desde que os manifestantes ocuparam o elegante palácio de Governo, há três meses, para transformá-lo em um acampamento antigovernamental. EFE grc/ab/jp

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