Manifestações reprimidas com violência e atentado no mausoléu de Khomeini

A polícia antidistúrbios reprimiu com violência, jatos dágua e bombas de gás lacrimogêneo os milhares de manifestantes que desafiaram neste sábado em Teerã a proibição de protestar contra a reeleição do presidente Mahmud Ahmadinejad.

AFP |

Também em Teerã, no mausoléu do aiatolá Ruhollah Khomeini, pai da revolução islâmica de 1979, que derrubou o regime do último xá, Mohamad Reza Pahlavi, um homem-bomba detonou seus explosivos e feriu pelo menos um peregrino, segundo a polícia. A imprensa cita até três feridos.

O mausoléu é um grande complexo de vários edifícios. A agência Mehr informou que o ataque aconteceu na entrada do mausoléu, onde os devotos deixam os calçados antes de entrar no templo. A explosão danificou parte do local.

O líder da oposição no Irã, Mir Hossein Moussavi, reiterou neste sábado o pedido de anulação por irregularidades da eleição presidencial que resultou na reeleição de Mahmud Ahmadinejad, em uma carta publicada no site de sua campanha.

"Todas as contagens (de irregularidades), às quais se acrescentam as demais mencionadas em minhas cartas anteriores, são suficientes para anular a eleição", afirma Moussavi em uma mensagem enviada ao Conselho dos Guardiães.

O Conselho dos Guardiães informou neste sábado estar disposto a realizar uma recontagem de 10% dos votos, escolhidos de modo aleatório, antes de anunciar a decisão até quarta-feira.

Já o presidente Ahmadinejad agradeceu ao guia supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, pela "boa decisão", segundo as agências iranianas, depois que este último validou sua reeleição.

"Guia, como uma pequena criança e servidor escolhido pela grande nação iraniana considero necessário agradecê-lo cordialmente pela boa decisão (...) na oração de sexta-feira", afirma o presidente em uma mensagem dirigida ao aiatolá.

O guia supremo, a principal autoridade do Estado, declarou na oração de sexta-feira que a vantagem de Ahmadinejad sobre os adversários na eleição de 12 de junho não pode ser explicada por uma fraude.

O pedido de anulação do moderado Moussavi representa um novo desafio ao guia supremo, que além de validar a reeleição do ultraconservador Ahmadinejad, exigiu o fim dos protestos.

As manifestações, sem precedentes desde a revolução islâmica de 1979 que derrubou o regime do xá Reza Pahlevi, prosseguiram neste sábado, apesar das advertências das autoridades de que as mesmas seriam reprimidas.

Na tarde deste sábado, a polícia antidistúrbios iraniana que os manifestantes da oposição chegassem à praça Enqelab de Teerã, agredindo alguns deles, informou à AFP uma testemunha.

"A polícia antidistúrbios proíbe as pessoas de se aproximar da praça Enqelab, na qual está prevista uma manifestação, e bloqueia a passagem das pessoas nas ruas, empurrando as pessas na calçada e com agressões", declarou a testemunha.

Outra testemunha afirmou que entre 1.000 e 2.000 manifestantes estavam diante da Universidade de Teerã, perto da praça Enqelab. Segundo ela, a polícia utiliza jatos d'água e bombas de gás lacrimogêneo para dispersar os presentes.

Uma terceira testemunha afirmou que milhares de manifestantes se reuniram na praça Azadi, a quatro quuilômetros da praça Enqelab.

Os manifestantes se reuniram em silêncio, mas esporadicamente eram ouvidos gritps como "morte ao ditador", em referência a Ahmadinejad.

Pelo menos uma pessoa foi ferida a tiro, no ombro, durante as manifestações em Teerã.

A imprensa estrangeira não está autorizada a cobrir os acontecimentos que não são autorizados pelo ministério iraniano da Cultura e Orientação Islâmica.

A validade da vitória de Ahmadinejad na eleição de 12 de junho é questionada pelos demais candidatos, incluindo seu principal adversário Mir Hossein Moussavi.

Alguns líderes da oposição chegaram a afirmara que as manifestações em Teerã haviam sido suspensas, em consequência da proibição oficial, mas o conservador moderado Moussavi não se pronunciou a este respeito.

Em sua primeira aparição pública desde o início da crise, o guia supremo, o aiatolá Khamenei, confirmou na sexta-feira a reeleição de Ahmadinejad, com quem disse compartilhar opiniões, e exigiu o fim dos protestos.

O ministério do Interior anunciou neste sábado que não autorizou nenhuma concentração ou manifestações no país".

O chefe de polícia Ahmadi Moghadam advertiu em uma carta enviada a Moussavi que qualquer manifestação seria reprimida.

Há uma semana, Teerã e outras cidades do Irã vivem os maiores protestos em 30 anos de República Islâmica, protagonizadas pelos seguidores dos principais rivais de Ahmadinejad, Moussavi e Mehdi Karubi, que pedem a anulação da eleição por fraude.

Moussavi e Karubi não compareceram neste sábado a uma reunião com o Conselho dos Guardiães, órgão responsável por validar as eleições e analisar as denúncias de irregularidades.

bur-pcl/fp

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