Manifestações no Haiti deixam 14 feridos

Os protestos contra o alto custo de vida que sacudiram o Haiti nesta terça-feira deixaram 14 pessoas feridas na região de Porto Príncipe, informaram fontes médicas.

AFP |

"Uma dúzia de feridos deu entrada no serviço de emergência do hospital público de Porto Príncipe", disse à AFP o doutor Claude Surena, presidente da Associação de Médicos haitianos.

"Este balanço é parcial, há muitas informações contraditórias, mas acredito que há pelo menos dez feridos a bala".

Além disso, dois jornalistas, um fotógrafo e um câmera foram levemente feridos por balas de borracha disparadas pelos capacetes azuis brasileiros da missão da ONU no Haiti (Minustah), revelaram as mesmas fontes.

Em Petit Goave, a sudoeste de Porto Príncipe, três pessoas foram baleadas. Segundo uma rádio local, manifestantes incendiaram um escritório da ONU na zona.

Em Cayes, no sul, uma pessoa ficou ferida nos incidentes desta terça.

Milhares de pessoas ocuparam as ruas da capital haitiana hoje, pelo segundo dia consecutivo, para protestar contra a alta nos preços dos alimentos.

"As condições de vida são péssimas. Estamos cansados de escutar promessas, queremos ações rápidas", resumiu Wilson, um manifestante de 25 anos.

Uma multidão se concentrou diante do Palácio Presidencial e atirou pedras contra o prédio, protegido por policiais. No confronto, houve disparos de armas de fogo e choques entre manifestantes e agentes.

O presidente Préval "pediu à Minustah o reforço da segurança em torno do Palácio Nacional", disse à AFP a porta-voz da missão da ONU, Sophie Boutaud de la Combe.

Os capacetes azuis utilizaram bombas de gás lacrimogêneo para dispersar manifestantes que se aproximaram do Palácio, constatou a AFP.

"As pessoas podem se manifestar, mas respeitando os bens dos outros. Não entendemos que pessoas que protestam contra o custo de vida queiram entrar no Palácio Nacional", assinalou o secretário de Estado para a Segurança Pública, Luc Euchère.

Em Nova York, o Conselho de Segurança da ONU reafirmou hoje seu apoio ao governo do Haiti e à missão da ONU no país, liderada pelo Brasil.

"Os membros do Conselho reiteraram seu apoio ao governo haitiano e à Minustah em seus esforços para assegurar a estabilidade, consolidar a democracia e criar condições que possam conduzir ao crescimento econômico, ao desenvolvimento social e ao fornecimento da ajuda humanitária", declarou à imprensa o embaixador da África do Sul na ONU, Dumisani Kumalo, que preside o Conselho em abril.

hc/ap/LR

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