Manifestações em Londres e RJ marcam véspera da cúpula do G20

Redação Central, 1º abr (EFE).- Mesmo diante de um grande esquema de segurança montado para a Cúpula do Grupo dos Vinte (G20, os países ricos e os principais emergentes), a véspera da reunião de líderes foi marcada por protestos em Londres, inclusive com a prisão de manifestantes, e também por um incidente no Rio de Janeiro.

EFE |

Milhares de pessoas se reuniram na quarta-feira na City (centro financeiro) de Londres para protestar contra "um sistema econômico que beneficia a poucos", segundo um dos manifestantes do protesto G20 Meltdown (em alusão à catástrofe que resulta da fusão de um reator nuclear), formado por vários grupos anticapitalistas.

Um dos manifestantes, um homem de 55 anos que não quis revelar a identidade e que carregava um cartaz dizendo "Castigo aos saqueadores", disse à imprensa que "o capitalismo só funciona se as pessoas não pegarem mais do que necessitam".

No início da tarde da quarta-feira, agentes antidistúrbios e a Polícia montada tinham se deslocado até o foco do protesto, entre a sede do Banco da Inglaterra e o RBS, enquanto aumentava o desconforto entre os manifestantes.

O que começou de manhã como um protesto festivo e pacífico, organizado por diferentes grupos, acabou em situações de tensão, quando as forças de segurança cercaram os manifestantes.

A tensão aumentou quando um grande número de manifestantes decidiu deixar o local e não conseguiu, já que a Polícia os reteve no centro financeiro de Londres.

Um grupo de manifestantes chegou a invadir o edifício do Royal Bank of Scotland, também na City, e quebrou os vidros de algumas das janelas, no que descreveram como um ato simbólico contra os banqueiros, aos quais responsabilizam pela crise econômica.

O saldo das manifestações em Londres, até agora, foram 23 manifestantes detidos. Entre eles, 11 foram presos porque estavam com uniformes policiais para usar durante protestos e os outros, por crimes como perturbação da ordem pública, posse de drogas, comportamento ameaçador ou atentado ao pudor.

Quatro pessoas que, segundo a Polícia, estão vinculadas às manifestações, foram detidos na terça-feira à noite por agressão e posse de objetos cortantes.

Prevendo possíveis incidentes, a Polícia havia aconselhado às pessoas que trabalham na City que evitassem vestir hoje roupas mais formais, para não serem alvos de alguma agressão, e muitos executivos preferiram sair de casa com trajes informais.

Mesmo fora de Londres, houve manifestações por ocasião da cúpula do G20. No Rio de Janeiro, mais de dez ativistas do Greenpeace se penduraram na quarta-feira na ponte Rio-Niterói usando técnicas de rapel para estender um cartaz com a frase "Líderes mundiais: o clima e o povo em primeiro lugar", escrita em inglês.

Onze dos ativistas da organização foram detidos pela Polícia pouco depois de retornarem ao topo da ponte.

Segundo um representante do Greenpeace, os manifestantes "foram detidos para dar explicações e conduzidos às dependências da Polícia Federal em Niterói (RJ), mas ainda não foram acusados de nada".

Em declarações à Agência Efe, um representante do Greenpeace disse que a entidade quer "chamar a atenção dos líderes do G20 para a urgente necessidade de usar a crise climática como oportunidade para solucionar a recessão econômica".

Os ativistas citaram a situação do Brasil, o quarto maior emissor de gases que provocam o aquecimento global devido às queimadas na Amazônia.

Ambientalistas, sindicalistas, estudantes, ativistas contrários aos conflitos armados e membros de organizações beneficentes são alguns dos grupos que participam dos diversos protestos por ocasião do G20.

O esquema de segurança montado para a reunião do G20 teve um custo estimado em 7,5 milhões de libras (8,4 milhões de euros). EFE jm-cm/bba-an

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