Paris, 6 abr (EFE).- O grito Libertem Ingrid ressoou neste domingo em Paris e em outras grandes cidades francesas em protestos pela libertação da refém das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), eventos que uniram personalidades como a presidente da Argentina, a primeira-dama da França, ministros e milhares de manifestantes anônimos.

Cerca de 30 mil pessoas, segundo os organizadores, e cinco mil, segundo a Polícia, fizeram uma passeata após um ato na Ópera de Paris, no qual a governante argentina Cristina Fernández de Kirchner pediu a seu colega colombiano que "facilite uma troca humanitária" e o chanceler francês, Bernard Kouchner, assegurou que seu país "nunca" retrocederá em seus esforços.

"Os que mais devem se esforçar em eliminar estes obstáculos são exatamente os que têm a responsabilidade de dirigir as instituições democráticas e de facilitar a troca humanitária", declarou Cristina em uma aparente alusão ao presidente da Colômbia, Álvaro Uribe.

A refém de 46 anos, que foi candidata à Presidência da Colômbia, está nas mãos das Farc desde fevereiro de 2002 e seu estado de saúde é delicado.

As negociações - por enquanto frustradas - para libertá-la despontam como o tema principal do encontro de amanhã entre o presidente francês, Nicolas Sarkozy, e sua colega argentina, cuja visita-relâmpago a Paris terminará na própria segunda.

Cristina afirmou hoje que "os direitos humanos devem prevalecer sobre qualquer outra questão" e, no fim da passeata diante da Câmara dos deputados, voltou a se dirigir ao Governo colombiano para que "compreenda que devem chegar ao final as operações militares para poder alcançar um final feliz nesta triste história".

Uribe já prometeu suspender as operações militares na região onde deveria operar a "missão humanitária" enviada pela França para prestar assistência a Betancourt, mas se recusa a desmilitarizar a vasta área da Colômbia reivindicada pelas Farc para negociar uma troca de 40 reféns por 500 guerrilheiros presos.

O avião que trouxe a missão humanitária, organizada por França, Espanha e Suíça, permanece em Bogotá desde a última quinta à espera de que a guerrilha diga se pode chegar até Betancourt para prestar atendimento médico à refém, que corre "perigo de morte iminente" segundo Sarkozy.

"Hoje as pessoas nos perguntam se vamos parar esta missão humanitária", declarou o ministro Kouchner, que acrescentou: "Não vamos parar esta missão, não pararemos estas negociações. Não as interromperemos nunca".

Caso as Farc não respondam "voltaremos a começar", declarou o chanceler francês ao insistir que é "apenas uma etapa".

"Esperamos que seja a última, mas, se não for, repetiremos tudo isto", declarou Kouchner, que considerou "um acontecimento considerável" a presença na manifestação da presidente argentina junto com membros das Mães e Avós da Praça de Maio.

Carla Bruni, há dois meses primeira-dama da França, se uniu às personalidades na Ópera de Paris e comentou que "o desamparo" dos familiares de Betancourt a "comove".

"Posso dizer que meu marido não desistirá", afirmou.

Sarkozy fez da libertação da refém uma de suas prioridades desde sua chegada ao Palácio do Eliseu, em maio do ano passado.

Diante dos participantes da manifestação em frente à Ópera de Paris, o filho de Betancourt, Lorenzo, disse: "Liberdade para todos (os reféns). Que estes gritos cruzem o Atlântico para que mamãe os ouça", assim como "o presidente Uribe e as Farc".

Confiante de que "o mundo inteiro" não permitirá "o que está acontecendo", o ex-marido de Betancourt, Fabrice Delloye, disse à Agência Efe que se Ingrid morrer "na selva" será a "morte política" da guerrilha, mas também será responsabilidade de Uribe, de quem denunciou sua "intransigência".

Entre os participantes da manifestação de Paris, onde muitos vestiram branco e levaram faixas, lenços e flores, estavam ministros, políticos de várias ideologias e personalidades culturais e esportivas.

Um dos filhos de Sarkozy, Jean, por "amizade e solidariedade" a Lorenzo Delloye, também estava presente.

Segundo os organizadores, as manifestações em outras 15 cidades francesas, como Nice, Bordeaux, Avignon, Estrasburgo e Toulouse, reuniram quase 12 mil pessoas. EFE al/mac/fal

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