Manifestações em dia de referendo marcam divisão na Bolívia

Por Carlos Alberto Quiroga LA PAZ (Reuters) - Grandes manifestações para a unidade nacional em cidades ocidentais da Bolívia no domingo marcaram a tensa realização do referendo sobre a autonomia do distrito de Santa Cruz, em um confronto que parece aprofundar as diferenças do país.

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Manifestantes na cidade central de Cochabamba e de El Alto repudiaram a intenção separatista com apelos ao presidente Evo Morales e ao Congresso Nacional que reabram o processo para a aprovação de uma nova Constituição.

Os referendos e as manifestações por unidade, realizados simultaneamente, serviram como uma outra medição de forças entre setores conservadores, que se mobilizaram em torno do projeto de autonomia de Santa Cruz, o motor econômico do país, e os movimentos sociais que apóiam Morales.

'O estatuto não passará e estamos aqui para dizer que não toleraremos nenhum ato oligárquico que ameace a unidade nacional', disse o dirigente sindical Oscar Oliveira, em um discurso transmitido por cadeias de televisão.

'Cochabamba disse à Bolívia e ao presidente Morales que continue e aprofunde o processo de transformação. O prefeito (de Cochabamba) Manfred Reyes Vila deve renunciar por ter apoiado os separatistas', acrescentou.

A imprensa local estimou que quase meio milhão de pessoas participaram da marcha em Cochabamba e que pelo menos 200 mil pessoas participaram da manifestação em El Alto. Houve protestos em outras cidades.

Os manifestantes de El Alto pediram a expulsão dos prefeitos de quatro distritos que buscam autonomia e exigiram a expulsão do embaixador dos Estados Unidos, Philip Goldberg, chamado de 'instigador do separatismo'.

'Se querem formar outra Bolívia, que a formem, mais fora do nosso território nacional', disse Luis Huanca, responsável pela leitura das resoluções da manifestação.

Após os protestos em El Alto, um grupo de manifestantes atacou a sede de um canal de televisão, de propriedade do prefeito de oposição José Luis Paredes, segundo relataram as rádios.

A polícia dispersou os manifestantes que, segundo testemunhas, também atacaram um veículo com repórteres de outro canal de televisão.

(Com reportagem de Ana María Fabbri)

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