Manifestações e greves na França, mas não uma quinta-feira negra

Mais de um milhão de franceses pararam de trabalhar nesta quinta-feira lotando as ruas, em manifestações contra a política do presidente Nicolas Sarkozy para enfrentar a crise, mas o país parece ter escapado da paralisia total e da quinta-feira negra, como previam alguns.

AFP |

Segundo dados oficiais, um quarto dos quase 5 milhões de funcionários participaram da greve, nesta jornada nacional de manifestações.

Além dos professores, que não trabalham hoje, as perturbações atingem principalmente as ferrovias, os transportes público e aéreo, mas não no nível anunciado.

Os franceses se aglomeram nas principais ruas do país, com dezenas de milhares na tarde desta quinta-feira, em Paris. "Os assalariados não têm de pagar pelos banqueiros", gritavam os manifestantes.

Segundo François Chérèque, secretário-geral do sindicato CFDT, o segundo na França, as manifestações realizadas nesta quinta-feira são as maiores dos últimos 20 anos.

Os sindicatos, que fizeram apelo à mobilização, em defesa dos assalariados, esperavam uma paralisação inédita desde a eleição de Nicolas Sarkozy em 2007, numa advertência ao presidente sobre sua política ante a crise econômica e financeira, e são apoiados por uma oposição socialista convalescente.

"É um evento social de grande importância, não um ataque de raiva passageiro, haverá uma seqüência", disse Bernard Thibault, secretário-geral do sindicato CGT, o primeiro do país.

"A greve não é uma resposta à crise", respondeu o ministro do Buerth, repetindo a posição já expressa por Nicolas Sarkozy que excluiu renunciar à política de reformas pela qual foi eleito.

Com perturbações nos transportes menores que o esperado, o governo parece estar escapando à ameaça de uma França totalmente parada.

Com um quarto dos funcionários, agentes da France Telecom, dos Correios, da Electricité de France (EDF) em greve, os programas das rádios e televisões públicas foram praticamente interrompidos.

No transporte ferroviário, onde 41% dos agentes estão em greve, segundo o sindicato CGT (36,7% segundo a direção), as perturbações atingem o tráfico regional e o da região parisiense, com apenas 35% dos trens em várias regiões, mas 90% em outras.

Os dois terços dos trens de alta velocidade (TGV) circulavam, enquanto os Eurostar, Thalys e Alleo, que liga a França e a Inglaterra, a Bélgica e a Alemanha não foram atingidas. O trânsito para a Suíça deve ser, no entanto, prejudicado.

No metrô parisiense, 75% dos trens estão operando normalmente, assim como 85% dos ônibus da capital, segundo a administradora dos trens RATP. Em alguns outros cidades, como em Marselha, a adesão à greve foi maior.

No transporte aéreo, 12% dos voos foram cancelados no aeroporto parisiense de Roissy-Charles De Gaulle e 35% no de Orly. A greve causou muitos atrasos.

A convocação de greve abrangia tanto os setores públicos como os privados mas, na França, a força dos sindicatos se concentra no setor público. Os trabalhadores, no entanto, levaram também à greve ao setor automobilístico, como na Renault, e no setor bancário, como no Crédit Lyonnais.

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