Manifestações de apoio à China abafam pró-tibetanos em Bangcoc

O revezamento da chama olímpica foi realizado sem grandes incidentes neste sábado em Bangcoc, onde as forças de segurança tailandesas e os manifestantes em favor da China conseguiram abafar algumas vozes dissonantes em defesa dos tibetanos.

AFP |

A passagem da tocha pela Tailândia coincidiu com manifestações contra a França em quatro cidades da China que tiveram como alvo principalmente a rede de supermercados Carrefour para protestar contra a postura da França em relação ao Tibete e aos Jogos Olímpicos de agosto em Pequim.

Em Bangcoc, o vice-primeiro-ministro Sanan Kachornprasart afirmou que as Olimpíadas não devem ser politizadas.

"Fazemos uma clara distinção entre a política e os esportes", insistiu este alto funcionário tailandês, ao dar o sinal de partida da chama olímpica em uma atmosfera festiva.

Tailândia e China mantêm estreitas relações e a comunidade empresarial sino-tailandesa participou da organização deste evento.

Esta foi a terceira etapa do périplo da chama olímpica depois de Islamabad e Nova Délhi.

Mais de 2.000 policiais uniformizados ou à paisana foram mobilizados ao longo de um percurso de 10,5 km na capital tailandesa para evitar que se repetissem os incidentes que marcaram a passagem da tocha, sobretudo em Paris no dia 7 de abril.

Cerca de 80 personalidades tailandesas ligadas ao esporte, aos negócios e ao meio ambiente, se revezaram durante quase três horas para conduzir a tocha do bairro chinês de Bangcoc para uma praça a poucos metros da residência real.

Enquanto isso, não muito longe dali, cerca de 100 manifestantes pró-Tibete se reuniram diante da sede regional das Nações Unidas, bradando frases de ordem como "Liberdade para o Tibete", "Chega de mortes no Tibete", e "Nós não queremos esta chama da vergonha".

Mas suas vozes foram abafadas rapidamente por cerca de 300 manifestantes que apoiavam o governo chinês e foram mantidos à distância pelas forças de segurança, informou uma jornalista da AFP.

Estes manifestantes, entre os quais havia muitos estudantes chineses, vestiam camisas vermelhas e agitavam uma bandeira olímpica, gritando "Viva a China".

Alguns manifestantes pró-Tibete afirmaram que foram provocados pelos partidários das autoridades chinesas.

"Tive medo", afirmou Pokpong Lawansiri, membro de uma rede tailandesa pró-tibetana, lembrando que a manifestação diante da sede da ONU pretendia unicamente pressionar a China para que "respeite os Direitos Humanos".

Desde 24 de março, com a cerimônia da chama em Olimpia (Grécia) que deu início ao revezamento, vários incidentes, alguns dos quais violentos, foram registrados durante a viagem da tocha, destacando a situação no Tibete e colocando a China em uma situação embaraçosa.

bur/dm

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