Manifestação reúne milhares contra acordo sobre presença dos EUA no Iraque

Milhares de partidários do clérigo radical xiita Moqtada al-Sadr participaram de um protesto neste sábado em Bagdá contra a ocupação norte-americana e queimaram imagens do presidente George W. Bush para denunciar um projeto de acordo sobre a presença militar norte-americana no Iraque.

AFP |

Os membros do principal movimento anti-americano no Iraque saíram de seu bastião de Sadr City, no nordeste de Bagdá, e caminharam em direção à praça de Mustansiriya, constataram jornalistas da AFP.

Ao final da passeata, os manifestantes queimaram a bandeira dos Estados Unidos, assim como imagens do presidente Bush e de sua secretária de Estado Condoleezza Rice.

Em uma declaração escrita distribuída durante a manifestação, Moqtada al-Sadr fez um apelo aos deputados iraquianos para que não ratifiquem, no momento em que for apresentado, o projeto de acordo sobre a futura presença dos soldados norte-americanos.

"Quando o governo enviar o texto para o Parlamento, digo que haverá pessoas diante de vocês que serão contra", indicou o líder xiita em seu texto aos parlamentares.

"Eles (as autoridades do governo) os dirão que o documento conclui a ocupação, mas na realidade os ocupantes ficarão. Dirão a vocês que esse texto concede a soberania (ao Iraque), mas mentem", acrescenta Moqtada al-Sadr, que estaria refugiado no Irã.

A manifestação acontece enquanto as autoridades americanas e iraquianas finalizam um acordo que fixará o marco jurídico da presença americana no Iraque depois de 31 de dezembro, data em que expira o mandato do Conselho de Segurança da ONU.

O secretário americano da Defesa, Robert Gates, começou esta semana a consultar o Congresso sobre um projeto de acordo, que Bagdá também examina.

A este respeito, o líder da diplomacia iraquiana, Hoshyar Zebari, considerou que chegou o momento para norte-americanos e iraquianos "tomarem uma decisão" sobre a presença militar norte-americana no Iraque depois de 2008.

"É o momento (para Washington e Bagdá) de tomar uma decisão. Os próximos dias terão uma importância crucial", declarou o ministro iraquiano das Relações Exteriores em uma entrevista coletiva à imprensa em Bagdá.

"Ontem (sexta-feira) houve uma reunião importante do conselho político de segurança nacional e as duas equipes de negociadores apresentaram um texto final" para o acordo, acrescentou Zebari, ao ressaltar que "será difícil modificar" esse texto.

"O Parlamento só poderá ratificá-lo ou rejeitá-lo", assegurou.

O chanceler iraquiano ressaltou que se trata de "um acordo provisório de três anos" que "não ratifica bases" militares norte-americanas permanentes no Iraque.

As negociações sobre o futuro status das forças americanas no Iraque (Sofa, Status of Forces Agreement), que começaram em fevereiro, deveriam ter terminado no final de julho, mas a complexidade das questões e as divergências, sobretudo, em relação a um calendário de retirada dos soldados americanos de solo iraquiano e sobre sua imunidade nesse país, atrasaram a redação do acordo.

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