Manifestação ilegal na Malásia termina com pelo menos 400 detidos

Grupo de ONGs exige eleições justas no país, governado desde a sua independência, em 1965, pela mesma aliança de partidos

EFE |

A polícia da Malásia usou gás lacrimogêneo neste sábado e deteve pelo menos 400 pessoas que se dirigiam a uma manifestação na capital do país, Kuala Lumpur, para exigir eleições justas. Milhares de integrantes do coletivo Bersih 2.0, organizador dos protestos, se dirigem ao estádio Merdeka ("Liberdade", em malaio), para realizar uma manifestação para pedir uma reforma eleitoral, segundo a imprensa local.

AP
Ativista do grupo Bersih protesta de dentro de uma viatura policial, após ser detido em Kuala Lumpur

No entanto, o centro da capital malásia está isolado desde a noite de sexta-feira com centenas de policiais armados com material antidistúrbio e caminhões com canhões de água postados nas principais avenidas e praças.

"Não há razão alguma para proibir a manifestação. Nos concentraremos no estádio Merdeka. Não somos um grupo violento de forma alguma", indicou Andrew Khoo, membro do comitê do Bersih ("Limpo" em malaio).

Khoo espera reunir cerca de 100 mil pessoas, mas a polícia isolou a cidade e detém todos os que vestem camisetas amarelas, a cor do Bersih.

Na Malásia, as manifestações são ilegais se não contarem com a permissão das autoridades, o que raramente ocorre, sobretudo se o protesto for contra o governo. Nas últimas semanas, a polícia deteve 150 ativistas do Bersih, dos quais 30 permanecem presos e 91 foram expulsos de Kuala Lumpur.

O sultão de Selangor, Sharafuddin Idris Shah, advertiu à população do perigo de participar da convocação, porque "este tipo de demonstração só acarreta problemas à população, altera a harmonia, ameaça a paz e arruína o bom nome do país". A Malásia é governada pela mesma aliança de partidos desde a independência, em 1965, e o primeiro-ministro sempre foi da Organização Nacional para a Unidade Malaia (UNMO).

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