Manifestação governista reúne multidão em Buenos Aires

Por César Illiano BUENOS AIRES (Reuters) - A presidente da Argentina, Cristina Fernández, reuniu na quarta-feira na histórica Praça de Maio milhares de pessoas, diante das quais proferiu um discurso acusando o setor ruralista, que há cem dias faz manifestações contra uma alta nos impostos, de colocar em perigo a democracia do país.

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A dirigente pediu aos produtores rurais que encerrem os protestos, responsáveis por paralisar a atividade agrícola de um dos maiores fornecedores de alimentos do mundo, e também pediu à classe média que deixe de lado suas manifestações, uma vez que isso, nas palavras dela, não resolverá o conflito.

'Temos de aprender a resolver democraticamente nossas diferenças. Talvez, com tantos golpes de Estado, tanta corrupção institucional que temos visto, acreditamos que tudo tem de ser feito com intolerância, com golpes, com buzina, com panelas ou bloqueios nas estradas', afirmou a presidente.

O setor ruralista resiste à alta dos impostos de exportação de grãos, decretada em março. A fim de manifestar insatisfação, os fazendeiros realizam locautes e bloqueiam estradas, mas o governo se nega a rever a decisão, argumentando que a medida é essencial para garantir que os lucros extraordinários do setor cheguem às classes mais baixas.

Com bandeiras da Argentina e cartazes de apoio a Cristina, os manifestantes encheram a praça localizada na frente da Casa Rosada, paralisando o centro de Buenos Aires. O governo convocou o ato para 'defender a democracia' contra o agronegócio, que acusa de ser 'golpista'.

'Parece-me ser uma barbaridade que os setores sempre beneficiados estejam tentando derrubar um governo constitucional. Se depois de quatro anos esse governo mostrar que não foi eficiente, teremos outra oportunidade de votar em uma pessoa diferente', disse Patricia Echeverría, 55, que participou do ato de quarta-feira.

Em volta dela, muitos manifestantes carregavam bandeiras com as palavras: 'Força Cristina! Nem um passo atrás'. Outros vendiam fotos de Juan e Eva Perón.

Durante seu discurso, a presidente, que viu seus índices de popularidade despencarem desde que iniciou o enfrentamento com o setor rural, em março, acusou os quatro líderes das entidades ruralistas envolvidas, 'em quem ninguém votou', de querer desestabilizar o governo.

'Abram as estradas e deixem que os argentinos voltemos a produzir e a trabalhar', conclamou Cristina, que pediu a todos os setores da sociedade que discutam as políticas de longo prazo do país.

O ato de quarta-feira serve como resposta às manifestações em que milhares de argentinos de classe média, na segunda-feira, foram às ruas de Buenos Aires e de outras cidades para mostrar descontentamento com o governo.

O protesto governista ocorreu um dia depois de a presidente ter anunciado o envio ao Congresso de um projeto de lei para ratificar a alta nos impostos --medida essa que parecia abrir as portas à solução do conflito.

(Reportagem de César Illiano)

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