Manifestação é reprimida com violência em Teerã

A polícia usou bombas de gás lacrimogêneo para dispersar cerca de mil partidários da oposição que protestavam nesta segunda-feira no centro de Teerã, apesar da advertência do exército ideológico do regime islâmico de reprimir qualquer manifestação contra a controvertida eleição presidencial de 12 de junho.

AFP |

No décimo dia de uma crise sem precedentes nas três últimas décadas no Irã, o poder iraniano acusou novamente o ocidentais de ingerência.

Frente à escalada da violência, a Grã-Bretanha, um dos alvos principais destas acusações, e a Itália, recomendaram a seus cidadãos que não viajem ao Irã. Londres também vai repatriar as famílias dos funcionários de sua embaixada em Teerã, onde uma manifestação de estudantes aliados do poder está prevista para terça-feira.

Cerca de mil partidários da oposição, que pede a realização de uma nova eleição após a vitória contestada do presidente ultraconservador Mahmud Ahmadinejad, se reuniram durante três horas na tarde desta segunda-feira na praça Haft-é Tir, uma das maiores de Teerã, onde estavam 500 policiais e milicianos islâmicos 'bassij', aliados do regime.

A polícia disparou bombas de gás lacrimogêneo, relataram testemunhas, afirmando que 50 a 60 pessoas foram presas. Os carros que passavam pelo local e buzinavam em apoio aos manifestantes eram "marcados" com tinta para que a polícia possa prender seus ocupantes depois.

A manifestação havia sido convocada em homenagem à jovem manifestante Neda, morta sábado ao receber uma bala no peito, segundo um vídeo amplamente divulgado na internet.

Grupos de 'bassij', a milícia islâmica, armados com pedaços de pau, cassetetes e cabos de aço perseguiram os manifestantes. Alguns foram presos pela polícia.

Os militantes ignoraram a advertência dos Guardiões da Revolução, o corpo de elite da República Islâmica, que ameaçaram com uma resposta "decisiva e revolucionária para acabar com o complô e os tumultos".

Foi a primeira advertência deste tipo lançada pelos Guardiões (Pasdaran) desde o início, em 13 de junho, da contestação dirigida por Mir Hossein Moussavi, principal adversário de Ahmadinejad na eleição presidenjcial.

Na véspera, Moussavi, um ex-primeiro-ministro (1980-1989), conclamara seus partidários a continuar protestando "contra a mentira e a fraude".

Contudo, tinha recomendado aos manifestantes evitarem qualquer tipo de provocação, e pedido à polícia e ao exército que não recorressem ao uso excessivo da força.

Pelo menos 10 pessoas morreram e mais de 100 ficaram feridos nas manifestações de sábado, segundo a televisão estatal. Assim, o número de mortos em Teerã desde o início dos tumultos chegou a 17.

Os manifestantes denunciaram a reação desproporcional da polícia, que não duvidou em atirar com balas reais. Mis de 460 pessoas foram detidas, segundo a TV.

O Conselho dos Guardiões da Constituição, que deve se pronunciar até quarta-feira sobre as queixas por irregularidades emitidas pelos adversários de Ahmadinejad, admitiu que houve mais votos que eleições potenciais em 50 dos 366 distritos do país. O Conselho garantiu, porém, que isso não influenciará os resultados da eleição.

Muitas vozes se elevaram desde o dia 12 de junho para condenar a onda de violência em Teerã, levando o poder iraniano a denunciar a "ingerência" dos ocidentais.

"Os países ocidentais se intrometeram no processo eleitoral exagerando as manifestações organizadas contra os resultados da votação", acusou o porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Hassan Ghashghavi, criticando principalmente a França e a Grã-Bretanha.

Ele atacou duramente a BBC, que teve seu correspondente expulso do país.

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