Manifestação de partidários de Ahmadinejad em Teerã

Partidários de Mahmoud Ahmadinejad voltaram às ruas de Teerã nesta terça-feira, dia em que seu principal adversário, Mir Hossein Moussavi, pediu aos que contestam a reeleição do presidente a permanecer em casa, para evitar mais violência após a morte, na véspera, de sete civis.

AFP |

Em meio à tensão crescente, as autoridades proibiram a cobertura, pela imprensa estrangeira, dos acontecimentos em curso, num momento em que o Irã vive uma onda de cólera popular sem precedentes desde a revolução islâmica de 1979.

Mesmo a cobertura da manifestação favorável ao presidente ultraconservador, orquestrada pelo poder, era muito difícil.

As autoridades iranianas proibiram a imprensa estrangeira, a partir desta terça-feira de cobrir, além das manifestações ilegais, qualquer acontecimento que não esteja no "programa" do ministério da Cultura e do guia islâmico.

A televisão do Estado mostrou imagens de vários milhares de pessoas no centro da cidade, uma manifestação que apresentou como "marcha da unificação".

"Como vocês veem, há pessoas de toda a espécie aqui", diz um comentarista, sem mostrar jamais um close ou um plano mais aproximado dos participantes.

O Conselho de Coordenação da Propaganda Islâmica, um órgão oficial da República islâmica ligado ao guia supremo, aiatolá Ali Khamenei, saudou o resultado do pleito presidencial como uma "verdadeira festa".

Este órgão é encarregado, também, de organizar todas as manifestações oficiais do regime islâmico. Em 1999, durante rebeliões estudantis, havia feito apelo a uma grande manifestação que pusesse um fim ao movimento, reprimindo-o com violência.

O lado de Mir Hossein Moussavi também realizou manifestação, uma hora antes da efetuada pelos partidários do poder, a que a imprensa estrangeira também não foi autorizada a cobrir.

Mas Mir Hossein Moussavi, cujos partidários desafiaram a proibição de ir às ruas, pediu a estas centenas de milhares de pessoas que ficassem em casa para "evitar a armadilha de confrontos planejados", segundo seu assessor Abolfazl Fateh.

Na véspera, sete civis foram mortos, segundo a oficial Radio Payam, após tomarem uma base da milícia radical islâmica do bassidj, particularmente odiada pelos manifestantes.

Moussavi foi o primeiro a questionar os resultados do pleito que lhe deram apenas 34% dos votos, apesar de uma mobilização histórica que o beneficiava de 85% dos eleitores inscritos; e dirigiu sua reclamação ao Conselho de guardiões da Constituição.

Este Conselho, cujos membros são nomeados diretamente e indiretamente pelo guia supremo, e que é encarregado de validar o resultado das eleições e examinar as queixas, se disse pronto para recontar os votos nas urnas que vêm sendo objeto de contestação por parte dos candidatos".

O questionamento, muito forte em Teerã, palco de confrontos no sábado e de manifestações violentas domingo, também ganhou as cidades da província, em particular Machhad, Ispahan, Shiraz, segundo testemunhas.

Dois importantes líderes reformistas ligados ao ex-presidente Mohammad Khatami, Saïd Hajarian e Mohammad Ali Abtahi, foram detidos na madrugada desta terça-feira, segundo um líder reformista.

A força da mobilização contra a reeleição de Ahmadinejad, e a violência que se seguiu, começa a fissurar a unidade do poder.

Na manhã desta terça-feira, o presidente do Parlamento Ali Larijani, um personagem dos mais influentes do lado conservador, culpou o ministro do Interior, Sadegh Mahsouli, por ataques a estudantes e moradores de uma cidade do norte de Teerã, domingo.

Uma comissão do Parlamento, dominada pelos conservadores, também abriu um inquérito sobre o ataque, por milicianos radicais, domingo, a um dormitório da Universidade de Teerã.

Em visita à Rússia, o presidente Ahmadinejad nada comentou sobre a crise no Irã, apesar de numerosas vozes no exterior se elevarem contra as violências.

Roma falou sobre "mortes inaceitáveis", Bruxelas se disse "muito preocupada" e Londres fez um apelo à retenção, em Teerã.

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