Manifestação contra Berlusconi reúne milhares de pessoas em Roma

Roma, 25 out (EFE) - O líder da oposição de centro-esquerda italiano, Walter Veltroni, reuniu hoje dezenas de milhares de pessoas em Roma para protestar contra a política do primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, o qual acusou de só governar para os poderosos. Nessa manifestação, Veltroni concentrou o desânimo gerado por Berlusconi na primeira grande iniciativa do Partido Democrata (PD) desde que perdeu as eleições, há seis meses. Em aproximadamente uma hora, o ex-prefeito de Roma analisou e atacou a política de Berlusconi em todas as frentes, do econômico ao social. A Itália, senhor presidente do Conselho de Ministros, é um país antifascista, declarou Veltroni para censurar as recentes palavras de membros do Governo que elogiaram os anos da ditadura de Benito Mussolini. O líder do PD, que falou diante de milhares de pessoas reunidas no Circo Máximo, próximo ao Coliseu, também disse que a Itália não é um país xenófobo nem racista, em resposta aos decretos aprovados pelo Governo para facilitar a expulsão de imigrantes e a segregação das crianças estrangeiras nas escolas. Veltroni foi especialmente duro com a política econômica do Governo e declarou que a direita não pode perder o interesse pela crise econômica que originou. Há uma crise. Certamente chegará aos Estados Unidos, mas ninguém tem álibi nem desculpa.

EFE |

Principalmente a direita, que durante anos espalhou de mão cheia três toxinas, culturais e políticas", afirmou.

A primeira dessas, segundo Veltroni, "é a que considera qualquer regra um obstáculo", um veneno "filho da ideologia do liberalismo selvagem e do individualismo desenfreado".

Em seguida, disse que ninguém deve se surpreender com a "desenvoltura" com que o liberalismo "fez uma reviravolta e de repente se transformou em intervencionista".

Essa mudança "nasce do fato de que o único sistema que realmente agrada à direita é aquele em que tanto o mercado quanto o Estado estão a serviço dos interesses dos mais fortes".

A segunda toxina neoliberal "é a frieza, o ceticismo, a hostilidade em relação à Europa. É óbvio: na Europa, crescimento e coesão social andam juntos. Existe um horizonte que pede um sistema de regras e responsabilidades comuns".

"A terceira toxina é a primazia das finanças, sobretudo a mais criativa, a mais desenvolta e cínica possível. (...) Nós os faremos ricos porque o dinheiro multiplica por si só, todos terão suas árvores das moedas de ouro no campo dos milagres", denunciou.

Veltroni acusou Berlusconi de ter mentido ao prometer uma redução dos impostos "quando, na verdade, subiram" e insistiu em que o "Governo de Berlusconi é totalmente inadequado para enfrentar a crise econômica porque se ocupa apenas de dar conforto aos mais poderosos".

O líder opositor se dirigiu depois ao Berlusconi empresário, ao dizer: "A democracia não é o conselho de administração de uma sociedade".

Veltroni também censurou a lei de reforma do ensino, que prevê a supressão de até 120 mil postos de trabalho e cortes de 8 bilhões de euros nos orçamentos para o ensino superior.

"A direita criou a cultura do vazio. A escola não interessa a ela porque, para ela, a escola é a televisão", segundo Veltroni, que confessou que esse vazio o "assusta".

Para a direita, esse vazio "é indiferente, pois agrada a ela. Ela o alimentou com a cultura do individualismo e do egoísmo para deteriorar qualquer regra moral" com a idéia de que apenas "o êxito fácil" vale alguma coisa.

Por esse motivo, exigiu a anulação da lei da educação, pedido seguido por fortes aplausos, especialmente de milhares de estudantes que há dias protestam pelas ruas da Itália contra essa lei e que compareceram hoje à manifestação.

Veltroni encerrou seu discurso afirmando que a "Itália é melhor que a direita que a governa" e passou uma mensagem de otimismo dizendo que "outra Itália é possível".

Ao todo, 2,5 milhões de pessoas participaram do ato, segundo várias fontes, já que a Polícia não forneceu dados a respeito, como costuma ser habitual na Itália. EFE alg/wr/db

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