Maneira de reconhecer o rosto reflete diferenças culturais, diz estudo

Washington, 19 ago (EFE) - A maneira com que os humanos observam, reconhecem e classificam os rostos, reflete diferenças culturais, segundo um estudo publicado hoje pela revista Public Library of Science (PLoS).

EFE |

Os pesquisadores do Departamento de Psicologia de Glasgow, no Reino Unido e da Universidade de Montreal, no Canadá, se referem no artigo à "cultura" e "raça" como sinônimos.

Para seu trabalho, os pesquisadores recorreram a 14 pessoas descritas como "caucasianas ocidentais" e outras 14 descritas como "orientais do Leste da Ásia", sem mais detalhes.

"O reconhecimento dos rostos é obtido, sem esforço, por pessoas de todas as culturas diferentes e, por isso, era considerado como um mecanismo universal entre os humanos", explicou a publicação na internet.

"No entanto, o uso de uma nova tecnologia de imagem cerebral permitiu a descoberta de que as diferenças culturais fazem com que olhemos os rostos de forma distinta", acrescentou.

Os resultados do estudo "demonstram que o processamento de rostos não pode ser considerado como algo que surge de uma série universal de eventos perceptivos", segundo a equipe pesquisadora.

"A estratégia empregada para extrair informação visual dos rostos difere com as culturas", concluíram.

Roberto Caldara, da Universidade de Glasgow e um dos pesquisadores, explicou: "Em uma série de estudos do movimento dos olhos mostramos que a experiência social tem um impacto sobre a forma como as pessoas olham os rostos".

"Especificamente notamos uma grande diferença nos movimentos dos observadores ocidentais e do Leste da Ásia", disse.

"Descobrimos que os ocidentais tendem a olhar traços específicos no rosto de um indivíduo, tais como os olhos ou a boca, enquanto que os observadores do Leste da Ásia tendem a se focar no nariz ou no centro da face, o que dá uma visão mais geral de todos os traços", continuou Caldara.

Uma causa possível disto é que "o excessivo contato visual direto pode ser considerado rude nas culturas do leste asiático", afirmou.

O estudo "aponta novos elementos para entender por que a comunicação não verbal entre pessoas de culturas diferentes é, às vezes, problemática", segundo a "PloS".

"As sociedades ocidentais são, em geral, mais individualistas, enquanto que as sociedades orientais são coletivistas; os ocidentais aparentemente pensam e percebem de maneira mais focalizada e os orientais globalmente", foi revelado à revista.

"Ao refutar a presunção tradicional de que o processamento de rostos é realizado de uma maneira universal, mostramos que o ambiente, e, inclusive, a sociedade na qual nos desenvolvemos, tem muita influência nos mecanismos humanos básicos", anunciou. EFE jab/bm/db

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